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Opinião

ARTIGO: Agora vai, Reinaldo?

07 de outubro 2015 - 11h59 Por Redação Douranews
ARTIGO: Agora vai, Reinaldo?

marcelo Certo dia encontravam-se à beira de um rio uma criança e um padre. Em dado momento, o padre disse: “Veja, meu filho. Tem um boi voando ali”.  O garoto, inocente, olhou imediatamente para ver o que seria um fato inusitado, afinal, boi não voa. O padre então sorriu e lhe indagou: “Você acreditou mesmo que um boi poderia voar?”. O menino então, na sinceridade característica das crianças, respondeu: “Eu preferi acreditar que um boi voava a acreditar que um padre mentisse”.

Confesso que, quando vejo algumas atitudes do governador Reinaldo Azambuja em relação a Dourados, me sinto um pouco como o menino que ilustrou o começo deste artigo. Fiz campanha para o então candidato Reinaldo e entoei, como a maioria do eleitorado da cidade, o mantra “agora vai, Reinaldo...”. Penso ter contribuído, com os mais de 13 mil votos que obtive como candidato a deputado federal, para a eleição do agora governador. Acreditei que sob sua gestão seria revertida a aritmética perversa que marcou a gestão anterior, na qual nossa cidade sempre foi preterida na destinação de recursos e no cronograma de ações de governo.

O que me motivou a fazer esse desabafo público foi a decisão do governador de cortar em 20% a cedência dos professores da rede estadual de ensino para as entidades assistenciais que ofertam ensino a portadores de necessidades especiais, como a Pestalozzi e a APAE, e a inusitada decisão de cancelar os termos de cooperação com essas entidades e efetuar os repasses diretamente às mesmas, para que efetuassem o pagamento de suas despesas, incluindo o pagamento dos professores. Tudo muito bem, tudo muito bom, se, segundo ventilado durante o Fórum de Entidades Assistenciais, a fonte da qual adviria os recursos fosse a Saúde. Oras, se há falta de recursos para honrar compromissos com os municípios, de forma que possam oferecer a saúde de qualidade também elencada como prioridade na campanha eleitoral, como vai se retirar da saúde parta aplicar em Educação? É uma conta que não fecha e que, no adágio popular, seria “cobrir um santo para despir outro”.

Desde minha posse como vereador adotei a defesa do Terceiro Setor como uma das bandeiras do mandato. Entendo que as entidades assistenciais chegam aonde a “mão” dos governos não chega, atuando de forma complementar às políticas públicas. Para que elas sobrevivam, é fundamental o aporte dos recursos advindos de termos de cooperação, convênios e parcerias. Nestes quase três anos como parlamentar, o maior constrangimento que passei foi ver, durante a sessão ordinária realizada no dia 05/10, o plenário lotado de crianças muito especiais. As pessoas a que me refiro fazem parte da Pestalozzi, entidade que há 30 anos atende as crianças especiais, disponibilizando atualmente ensino, neurologista, fisioterapeutas e fonoaudiólogos a 101 crianças. Disponibilizam o que o sistema formal de educação ainda não está preparado para oferecer, não obstante os avanços da educação inclusiva, que parte da premissa de que as crianças especiais devem ser inseridas no mesmo sistema educacional que as crianças ditas “normais”. Uma, a Educação Especial, não exclui a outra, a Educação Inclusiva. Desde que, claro, as escolas do ensino formal estejam preparadas para receber as crianças especias atendidas por entidades como a APAE, a Pestalozzi. Fazer essa transição na “canetada” beira a irresponsabilidade.

A angustia causada nos que atuam nas entidades que oferecem Educação Especial como a APAE e a Pestalozzi pela decisão do governador de efetuar o corte nas cedências dos professores (por enquanto de 20% e futuramente de 100%) e a falta de clareza acerca desse malabarismo sugerido de se utilizar recursos da saúde para efetuar o pagamento dos professores é tanta que após fazer uso da tribuna livre a diretora da Pestalozzi de Dourados, Vera Di Dio, passou mal e teve que ser atendida, ainda no recinto da Câmara, por uma equipe do SAMU e encaminhada a uma unidade hospitalar.

Ainda acredito que o governador, quando candidato, não veio à nossa cidade apontar bois voando no céu. Prefiro acreditar no candidato sério que defendi a acreditar que as boas propostas de campanha foram engavetadas.
Pensemos!

*O autor é vereador em Dourados-MS.