O Brasil acompanha tristemente o encontro da avalanche de lama com as águas do mar, como consequência do rompimento de barragens em Mariana (MG), no último dia 5 de novembro, ocasionando uma catástrofe ambiental que devastou o Rio Doce, alcançando vários quilômetros ao longo da costa e mar adentro no litoral norte capixaba. O tsunami de rejeitos de minérios também dizimou900 hectaresde flora ao longo do rio em Minas Gerais. A área equivale a 900 campos de futebol. A natureza parece que morreu ali e as populações ribeirinhas atingidas fazem velório a céu aberto.
Além dos estragos incontáveis e o enorme prejuízo ambiental, Minas Gerais e o Espírito Santo precisam urgentemente da união e da solidariedade do restante do povo brasileiro, sobretudo das ações do governo federal, principalmente, para atender de imediato a reestabelecimento de água potável para consumo humano e donativos. Ao todo 15 municípios foram direta ou indiretamente atingidos e estão em situação dramática. Alguns deles, em situação de calamidade e emergência. Milhares de pessoas que viviam das atividades da agropecuária e da pesca no Rio Doce agora se deparam com um cenário desolador que nem a ficção parece ter imaginado.
Infelizmente, no tocante à recuperação do dano ambiental, hoje é inviável retirar a lama da calha do rio. As primeiras análises laboratoriais já detectaram a presença de metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio. Parece que jogaram a tabela periódica inteira no rio. A própria força da lama prejudicou a biodiversidade do rio para sempre e os ambientalistas não descartam a possibilidade de que espécies endêmicas inteiras tenham sido soterradas pela lama.
A recuperação do Rio Doce precisará de muito tempo para começar a dar sinais de vida. Até lá, é primordial que seja criado um fundo e medidas sejam adotadas, através de programas e projetos de recuperação e preservação ambiental, sobretudo no cuidado das nascentes do Rio Doce. O impacto da lama poderia, comparativamente, exterminar a vida no Pantanal brasileiro. São 65 bilhões de litros de rejeitos tóxicos, o que se equivaleria a 25 mil piscinas olímpicas.
Em Mato Grosso do Sul, a fauna e a flora são os maiores patrimônios que sustentam a riqueza e a beleza natural no estado. Nesse caso, a maior preocupação é com a barragem de Corumbá, onde, segundo o portal de notícias G1, de Mato Grosso do Sul, existe alto risco de rompimento, embora em nota, a empresa Vale diga que ela está em condições normais. Corumbá em si não seria atingida, mas a barragem de Gregório poderia acabar de uma vez com todo o bioma do Pantanal e com grande parte da riqueza natural do nosso Brasil.
A preservação e o cuidado na relação entre o homem e o meio ambiente são primordiais para manter o equilíbrio do ecossistema. Embora a atividade de mineração seja menor na planície do Centro-Oeste brasileiro do que em Minas Gerais, o povo sul mato-grossense tem plena consciência da importância da preservação da natureza como sinônimo de vida na sua essência mais pura.
Quanto às responsabilidades, não basta a aplicação de multas aos envolvidos. É preciso realizar um trabalho rigoroso de prevenção e, mais do que isso, salvar imediatamente as famílias vítimas dessa tragédia. Essas pessoas perderam tudo e hoje vivem apenas da solidariedade e da fé. É preciso muito mais do que isso.
* O autor é médico e deputado federal (PMDB-MS)