Refém de um decreto que agora denomina de aplicação do regime de lockdown na cidade, permitindo, entretanto, a livre circulação em supermercados, farmácias e postos de gasolina, o prefeito Alan Guedes (PP) poderia aproveitar essa quarentena forçada de 14 dias, caso realmente resolva cumprir o próprio decreto, para analisar os porquês que representam a pedra no sapato da noviça administração, antes de repassar a fatura a quem quer produzir.
Passados os primeiros cinco meses de mandato, Guedes bem que tentou ser simpático com os pouco mais de 33% de eleitores que o escolheram, mais especificamente, porém, com os ‘parças’ da campanha, aquinhoados em cargos razoavelmente bem remunerados na Prefeitura, mas ainda não conseguiu efetivar, por exemplo, um secretário municipal de Saúde. Uma pasta com tantas demandas, em tempos de pandemia, não pode ficar nessa situação por tanto tempo.
Quando anunciou, no dia da posse, a escolha do servidor de carreira do Município, o médico Frederico de Oliveira Wessinger, para comandar a Saúde, Guedes ‘ganhou pontos’ no meio, porque o profissional já vinha cuidando do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 na gestão anterior e estava se esforçando para, pelo menos, não deixar faltar médicos nos plantões. Durou até o dia 12 de março, coincidentemente, a semana em que o Comitê da Covid-19 mandou para o prefeito a Nota Técnica 27, a mesma que já recomendava a adoção do lockdown.
O prefeito não só engavetou a Nota, como chamou o Editor do DOURANEWS de mentiroso por torna-la pública e ainda demitiu o secretário que tentava dar um jeito nas coisas. Ou seja, optou pelo ‘negacionismo’ (palavrinha da moda), no pior momento, até então, da pandemia da Covid-19 em todo o País. Dourados chegara, naquele dia, aos 305 óbitos pela doença; agora estamos em 408, fora os mortos da macrorregião, que Guedes também os nega.
Para sair do caos, ou enfrentá-lo, de frente e com responsabilidade, falta apenas gestão.
*´É Editor de Conteúdo no DOURANEWS