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MADSON VALENTE

Caixa d'água não é luxo, é necessidade 

14 de dezembro 2021 - 13h23 Por Madson Valente
Caixa d'água não é luxo, é necessidade  madson

Discorrer sobre questões hídricas será algo cada vez mais presente em nosso cotidiano, diante do desafio mundial de garantir que este mineral vital possa ser acessível para toda humanidade, visto  que  por  séculos  um  em  cada  três  habitantes  do  mundo  padecem  por  falta  de  água, representando 2,1 bilhões de pessoas.  

Por ser  algo que fere a dignidade humana, caberá a sociedade exigir que se estabeleça políticas públicas,  proporcionando  maior  eficiência  nas  gestões  dos  recursos  hídricos  disponíveis, fazendo  investimentos  em  tecnologia  e  investindo  em  campanhas  de  conscientização  para mudanças de posturas, culturas e comportamentos. 

Neste  cenário,  por  sermos  um  país  tropical,  por  termos  as  maiores  bacias  hidrográficas  do mundo e por determos o maior percentual de água doce do planeta, muitos poderiam imaginar que nossa situação é de conforto hídrico, entretanto embora tenhamos os maiores aquíferos superficiais e subterrâneos sabemos que as águas do Brasil estão mal distribuídas, sendo que as regiões mais populosas já convivem com os rodízios semanais de abastecimento, enquanto a região  norte  possui  a  maior  reserva  de  água,  em  contrapartida  tem  baixa  densidade populacional e a região sudeste ao contrario.


A plenitude de um sistema de distribuição de água depende da colaboração

dos consumidores e representa uma poupança para imprevistos

É evidente que a escassez hídrica possa ser sentida em todas as regiões do mundo, pois além da disponibilidade do recurso água é necessário que se tenham sistemas para operação, que requerem investimentos e  que estes  estão suscetíveis para variadas situações, pois não há sistemas que sejam plenos. 

Nesse  diapasão, saímos de uma análise de uma conjuntura mundial para uma reflexão da questão local, que visa promover,  desafiar e provocar para uma mudança de cultura que também se arraigou em padrões de comportamentos equivocados.

É notório que, como qualquer sistema, seguimos rotineiramente no propósito de dar eficiência à nossa produção, adução, reservação, tratamento e distribuição de água, que tais obedecem a uma dinâmica complexa que envolve inúmeros  colaboradores, que também desenvolvem serviços de manutenções corretivas e  preventivas dos variados sistemas hidráulicos e que laboram de forma ininterrupta. De tal forma que até o momento que a água seja disponibilizada ao cavalete de sua residência, que esta passa por um longo e rigoroso processo de acompanhamento de qualidade. 

Em Dourados, a Sanesul está aplicando tecnologias utilizadas pelas grandes empresas do setor, importando instrumentos que possam contribuir para que consigamos estender ainda mais a nossa segurança hídrica. Estamos instalando válvulas redutoras de pressões, com propósito de definirmos uma pressão média equânime para todo perímetro urbano, garantindo com que todos os nossos clientes tenham abastecimento dentro de pressões e padrões definidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), cuja associação recomenda reservatório interno para situações de imprevistos com capacidade para suportar ausência de abastecimento por até 24h.

Importante chamar a atenção que todo macro sistema se complementa quando os seus consumidores, neste caso com os seus micro sistemas, também possuam obediência técnica, que construa internamente em seus imóveis reservatórios internos (caixa d'água), visto que os macro sistemas necessariamente precisam rotineiramente passar por manutenções de ordem 
preventiva e corretiva e que para isso se tornam necessárias as interrupções temporárias. 

Em Dourados, nós implantaremos, através das válvulas redutoras de pressões, no período noturno, pressões mínimas, possivelmente entre as 22h e 05h, visando evitar que neste intervalo, responsável pela maior incidência de vazamentos devido ao baixo consumo, que 
diante de pressões excessivas, se  rompam tubulações e danifiquem vias e passeios públicos após serem submetidos às necessárias manutenções.  

Não há sistema pleno sem a contrapartida do usuário. Todo equipamento é passível de manutenção, por isso ter uma caixa d'água não é uma questão de luxo e sim uma questão de necessidade. Portanto, por representar um dos menores custos da construção civil, se torna fundamental que se estabeleça como prioridade e que seja instalada, pois somente assim com 
ações em comum, com as partes cumprindo aquilo que lhe é atribuição, é que poderemos dizer que uma determinada cidade, bairro ou residência não haverá ocorrências de falta de água. 

Seja consciente, prudente, preventivo, faça sua parte e com certeza não perceberá as nossas rotineiras manutenções, tenha um reservatório, nem que seja mínimo. 

* É geógrafo, professor, ex-vereador e Gerente Regional da Sanesul em Dourados