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ERMINIO GUEDES

A mão e a luva

04 de julho 2022 - 11h09 Por Ermínio Guedes
A mão e a luva foto erminio

Com quem ficará Guiomar? No romance de Machado de Assis, a bela Guiomar tinha pretendentes e ficou com aquele que mais se parece com ela e mais se ajusta aos anseios. O cientista político Alberto Carlos Almeida e o geógrafo Tiago Garrido, deram boa resposta, no livro “A mão e a luva: o que elege um presidente” (Record): A luva que melhor encaixa na mão. Eis o realismo eleitoral.

Qual a luva que elegeu presidentes no Brasil depois de 1989? A resposta é cristalina: aquela que se mostrou capaz de frear a inflação. Com inflação, subemprego e desemprego, em disparada ninguém se reelege. Se tudo vai bem, o eleitor quer mais. Se vai mal, quer mudar. Elementar, caro leitor: O resultado eleitoral depende da situação do país. Se tem comida na mesa e dinheiro no bolso, o presidente se reelege, como ocorreu em 1994, 1998, 2006 e 2010. Mas, na carestia, inflação e desemprego a vitória é da oposição, como foi em 2002”. O resto é perfumaria.

Almeida e Garrido, detonam teorias, de não existir mais nem esquerda nem direita. Prova é a disputa no Brasil, entre direita e esquerda e o centro cobrar a conta depois. “Fica claro que pobres votam em partidos de esquerda e as mais ricas, em partidos de direita”. Simples de entender. Governos de esquerda priorizam redistribuir renda, gastos em saúde, educação, políticas sociais e geração de empregos, enquanto governos de direita preferem privatizar o Estado, a infraestrutura, desregulamentar normas trabalhistas e ambientais, em favor da economia e o social que se lasque. Ou seja, financiar a economia consumindo a natureza e empobrecendo a população. Coisa de liberalismo econômico.

Em 2010, Lula (esquerda) teria eleito qualquer candidato que escolhesse, porque pobre fazia churrasco nos fins de semana e viajava de avião. Conclusão dos autores: “Não havia nada que pudesse ser feito por Serra para modificar o resultado da eleição”. O livro permite compreender também que, em 2018, Bolsonaro (direita) venceu com o eleitorado do PSDB e com petistas extraviados, principalmente no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Um voto de protesto ao antipetismo, algo que o tempo concertou. Cientistas consideram que Bolsonaro venceria, sem a receita da facada de Malafaia e seus pastores corruptos. Venceria pelo fato dele se encaixar na luva da rejeição do eleitorado ao sistema político.

Deu errado! Quem pariu embala Bolsonaro, com faca nos dentes. Mas, nem todos. Muitos viram o erro e dão meia volta. Envolvido em muitas irregularidades, só não perdeu o mandato graças ao CENTRÃO. Neste momento, irregularmente, rapa os cofres públicos para comprar a reeleição. Enquanto isso, a economia despencou da 6a à 13a posição no ranking mundial, levando 35% da população à miséria e ao risco alimentar. A inflação e o desemprego voltaram e o País se consolida como vice-campeão de mortes por Covid – 19. Desmatou o equivalente a 3 Mato Grosso do Sul e tenta destruir indígenas, algo que lhe rendeu o prêmio irônico “fóssil do dia” por atuação na COP26. A CAN (Climate Action) premiou países que, fizeram o “melhor” para prejudicar as negociações climáticas nas conferências. O Brasil foi escolhido depois de Bolsonaro criticar a índigena Txai Suruí, que representou os povos indígenas na conferência. Aliás, Bolsonaro é bicampeão no título “fóssil do ano”, recebido nas COPs 25 e 26. Em 2023, historiadores escreverão sobre o pior presidente do Brasil.

Nesta batida, elogios à inteligência da Guiomar Opinião Pública, que atribui aos governantes os méritos pelo que fazem, de melhorar ou piorar às pessoas.  A Guiomar é a bela opinião pública, que escolhe por interesse da vida melhorar. Nesse propósito, ela chegou até se apaixonar por um certo capitão de malícias! Mas, Guiomar é esperta. “Quem pensa que é ingênua, no fundo a desconhece inteiramente”. Não por acaso, Guiomar revive paixão na maioria dos países sul americanos.

No Brasil, neste momento ela está apaixonada por um “sapo barbudo”, não tanto por amor, mas porque ele mais se parece com ela e mais se ajusta nos seus desejos. Segundo os autores, “pensamento mágico” de Guiomar sinaliza ao seu candidato (Lula) correr para o abraço! Pode mudar? Sim. Mas dificilmente mudará a tendência amorosa de Guiomar.

Pensem nisso!

* Consultor/Sustentabilidade