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Venceu a democracia. Lula venceu e tornou-se, pela terceira vez, presidente do Brasil. Vitória apertada, mas suficiente. No seu primeiro discurso Lula bradou: “É hora de baixar as armas”, num gesto digno de estadista que quer pacificar o país.
Como nas jornadas do herói, descritas por Joseph Campbell, Lula aceitou o desafio de vencer, atravessando o deserto e enfrentando adversários poderosos, desde a máquina pública até empresários empregadores aliciantes de votos dos empregados. Lula sai triunfante e maior. Algo inacreditável, comparável a Getúlio Vargas que, após derrubado, voltou pelo voto popular. O retirante nordestino, que viveu adolescência na pobreza, em São Paulo, depois metalúrgico sindicalista, fez três tentativas fracassadas, mas chegou à presidência da República, sendo reeleito e depois elegeu duas vezes a sua sucessora, Dilma Rousseff. Agora volta ao poder, depois de preso por mais de 500 dias, em acusações sem provas, que parecia o fim da sua extraordinária jornada política.
Venceu enfrentando todas as dificuldades impostas pela máquina pública a serviço da reeleição do presidente em exercício. Venceu o neopopulismo de extrema direita, que sempre sonhou com golpe de estado, para impor ditadura, aniquilando o judiciário e impondo ideologia anacrônica. Nunca um presidente eleito foi tão abominável, em bravatas calamitosas e discriminação odiosa, a semelhança do seu ídolo – O torturador e assassino Ustra. Por certo, um golpe, lhe daria mais prazer que uma vitória no voto. É da sua essência doentia.
Venceu a imagem rancorosa de machistas, homofóbicos, racistas e golpistas de arma em punho. Algo que represa contra a democracia: autoritário, golpista, desumano. Encarna tudo que um ignorante reúne: grosseria, preconceito, estupidez, violência, armamentismo, ignorância, incultura, obscurantismo, negacionismo. Além disso, representa o sofrimento dos mais pobres e o deleite dos mais ricos.
A pergunta: Como foi possível Lula articular uma aliança tão ampla em torno dele, com apoio engajado de Simone Tebet e Marina Silva, envolvendo Fernando Henrique Cardoso e economistas liberais históricos, do Plano Real, como Armínio Fraga? A resposta tem a simplicidade de uma convocação: a defesa da democracia. Sem dúvidas, Lula será sempre forte lembrança de figura política marcante da história brasileira, como alguém que interrompeu as possibilidades de uma escalada antidemocrática e totalitária, no País.
Agora, projetar o futuro. Reorganizar a mente depois do furacão. Lula terá enorme desafio pela frente. Não poderá errar. Terá de governar com quase perfeição, com transparência absoluta. Fazer um governo pacificador e antecipatório do futuro, afinal, o País precisa ser reconstruído, na perspectiva do desenvolvimento sustentável. O desmonte ocorrido tem de ser reparado e as políticas públicas realinhadas em favor dos que mais precisam, priorizando as economias locais e a geração de emprego. Apoiar a diversificação produtiva, para aquecer o mercado interno e gerar emprego e renda. A política exportadora é importante, mas sem o mercado interno forte, não haverá desenvolvimento sustentável.
Um governo de coalizão, com forças políticas comprometidas na democracia e em acabar com a desgraça que desceu no País. Forças de esquerda e do centro, na missão de tirar o País do atoleiro, da desigualdade e da destruição. Nada será fácil, mas perfeitamente possível.
Evidente, a dor do luto. Bolsonaro deixa “terra arrasada”, algo próprio dos mais incultos e grosseiros golpistas. Setores reacionários tentam golpe infrutífero. As Forças Armadas deram o fim a Bolsonaro. – Presidente, não haverá golpe! Em 1964, houve golpe porque o EUA apoiou. Hoje, não. Se houver, o Tio San intervém.
Se o Presidente derrotado tivesse sido ético e responsável, após a proclamação dos resultados das urnas e não seguido a tese falha de Jânio Quadros, teria evitado perdas políticas, econômicas e sociais ao País. Repetiu erro grotesco, na tentativa do fascismo. Mesmo assim, trancadores de estradas e de ruas, sem objetivo democrático, pedem inutilmente intervenção militar contra o resultado eleitoral – sonho de golpe frustrado. A justiça haverá de concertar.
A loucura chegou ao ponto de arbitrariedades institucionais. O MP, por certo, não deixará de graça. Um clube de nome da Cidade teve a petulância de ser usado aos interesses golpistas de alguns dirigentes, ao ficar disponível aos arruaceiros, contra a ordem estatutária, a democracia e, gravíssimo, apoiar a atos criminosos. Imaginemos o casuísmo, contra a comunidade associada, num palanque político antidemocrático e ilegal. O que se esperar?
Enfim perderam e é hora de enfiar a viola no saco e cuidar da vida. Graças ao STF a democracia será mantida no país, em especial, ao valente ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE. É hora de caminhar. É hora dos prejudicados judicializarem infratores, em busca da reparação de prejuízos.
Quebrou o espelho da ignorância humana! Acabou o pesadelo!
Vem aí novo patamar de civilidade!
– É hora de Já Ir embora.
– Pensem nisso!
* Consultor/Sustentabilidade