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Que Lula iria rebobinar programas sociais dos mandatos anteriores (perto de 50), para atender população, em especial, aquelas em situação de risco, não haviam dúvidas. Também, a certeza que Lula iria remontar as políticas públicas, flexibilizadas pelo antecessor (saúde, educação, meio ambiente e todo o sistema regulatório do trabalho e sociais, etc.). Que Lula iria recolocar o Brasil no mapa da geopolítica e corrigir a chacota internacional, da terra plana, era desejo de quem voltou nele. Tudo isso já este acontecendo. Brasil de Lula voltou ao protagonismo diplomático internacional e aqui cumpre compromissos com seus eleitores.
Faltava segurança, quanto ao crime ambiental. Mas no primeiro gesto, Lula assume o combate ao garimpo ilegal e ao desmatamento criminoso na Amazônia. Compromisso com brasileiros do bem e do mundo desenvolvido, que sonham ver as florestas brasileiras salvarem o Planeta. A floresta Amazônica, sem dúvidas é a salvação, mas está em situação de risco, no limite do ponto de inflexão e não retorno. O Cerrado já caiu, pela metade, nas commodities, colocando em risco o “berço das águas” e a regularidade de chuvas, não só no País, mas também no continente. Os demais biomas, já passaram do ponto de inflexão, alterando profundamente os ecossistemas e a biodiversidade natural.
A Ministra Matina Silva pede um Plano Marshall Ambiental, com ajuda não só no Estados Unidos, mas de toda a economia global carbonizada, para proteger as florestas, corrigir a cultura necrófila dos brasileiros e recuperar passivos ambientais, devastação, não pela Guerra Mundial, mas pela rapinagem ambiental. Evidente, o País deve ser compensado pelo esforço de proteger a natureza e, os brasileiros, por cuidar das florestas e do meio ambiente, com ganhos financeiros em ativos ambientais. Daí a mobilização para engordar o Fundo Amazônico, criar similares e institucionalizar o Mercado de Carbono no Brasil.
A meu ver, Lula tem essa especial oportunidade da inovação, na Bioeconomia. Sim. Cessar o desmatamento e as queimadas, proteger os povos originários e rever as decisões desastradas do anterior, virando a chave no sentido do desenvolvimento sustentável. Para isso, o marco legal, que dê segurança jurídica e processual, a investimentos na conversão da economia carbonizada em Economia Verde. Lula pode e deve viabilizar um plano de negócios de carbono e de uso sustentável dos ativos ambientais brasileiros. Nada dará mais dinheiro do que a floresta em pé e o Brasil poderá ampliar a matriz de energia limpa. A agricultura poderá crescer sem desmatar e flexibilizar agrotóxicos, OGMs e adubos sintéticos, por bioinsumos (biofertilizantes, biocidas, sementes e outros). Os resíduos urbanos poderão gerar emprego e renda, com saúde às comunidades.
Não lhe faltará apoio, rumo à economia de baixo carbono. O mundo que cresceu consumindo a natureza, agora sem retorno, quer se redimir apostando no Brasil, como pulmão do mundo. Atento, o Congresso Nacional relançou a Frente Parlamentar pela Inovação na Bioeconomia. Organizações globais poluentes precisam comprar créditos de carbono, para cobrir déficits. Investidores querem aplicar na pegada de carbono e em fontes limpas de energia. Perante cenário de crise climática, os negócios globais ligaram o sinal amarelo. Ninguém é louco, ao ponto de carbonizar o próprio capital. É consenso, segurar emissões de GEE à atmosfera e a emergência climática, no Acordo de Paris.
É o que esperamos. Evidente, a cultura necrófila reage, acostumada a esquelatizar a natureza para acumular dinheiro e poder, mas chegou a hora de aumentando a capacidade cognitiva e da recivilização nas oportunidades que se abrem. Os campos não podem ser mais crematórios florestais e de dinheiro, nem símbolo do fracasso humano em cemitérios da biodiversidade. As cidades, não serão mais fábricas de poluição, doença e degradação da vida da população. Não temos o direito de destruir o que não nos pertence, a pretexto da economia carbonizada servir a alguns e outros sofrerem. Não faz sentido uma pessoa, para enriquecer, precisar deixar centenas de outras na miséria.
Não podemos continuar como Nero, se deliciando nas labaredas que sobem ao céu, para aumentar o Aquecimento Global, Efeito Estufa e a iminência de Colapso Climático. Mas, prestar atenção nas coisas simples e importantes da natureza, que estão disponíveis e podem mudar o mundo, como definiu Renato Russo - “As coisas simples devem ser vistas como as mais importantes”. Se não agirmos agora, depois será tarde e inevitável o pânico da humanidade.
Precisamos de sentimentos positivos e de inteligência antecipatória ao futuro, rompendo a acomodação resiliente, como definiu o PAPA FRANCISCO - “As atitudes que dificultam os caminhos de solução, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas". CARTA ENCÍCLICA AUDATO SI’, 2015.
Pensem nisso!
* É Consultor