foto erminio
Dia de lembrarmos do meio ambiente. Um dia quem deveria ser das escolas levarem as crianças em praças e parques a plantar e cuidar das árvores. Também, das escolas ensinarem o significado na natureza e os cuidados com espaços ambientais importantes, a exemplo do córrego laranja doce. Sim. É preciso mostrar o caminho pela ponte do futuro.
A rigor, uma crítica à educação que deveria se orientar pelo paradigma da sustentabilidade, em vez da omissão constitucional e a Lei n.º 9.795/99, da educação ambiental. Já conheço o argumento do ensino ambiental interdisciplinar. Forma conveniente do “faz de conta”, afinal à economia carbonizada não interessa o silêncio da educação ambiental.
Dia da população refletir sobre as razões da natureza revoltada. Os rurais fazerem um balanço dos erros que comete na natureza e os urbanos no “pouco caso” com a salubridade e com a paisagem das cidades. O meio rural urbano virou crematório florestal e despejo de venenos e as cidades fábricas de doenças, na força da poluição ambiental.
Sim. As florestas são derrubadas e queimadas para alimentar a economia que queima e usa a cinza na concentração da renda e na exclusão social. Um sistema absolutamente insustentável. Se somada a energia gasta para produzir 1 kg de commodities agrícola, será menor do que a energia obtida no produto final. Ou seja, o balanço energético entre perdas ambientais x benefícios socioeconômicos e culturais, tem saldo negativo.
Cenário que preocupa. O Bioma Cerrado, o segundo do País, está sendo derretido em soja e gado, podendo aumentar nas restrições das EU aos produtos da Amazônia. Pois bem, grande efeito disso no “berço das águas” (já perdeu 30%) e nas principais bacias hidrográficas, como a do Rio Paraguai (seca o Pantanal). Os “rios voadores”, que nascem na Amazônia poderão enfraquecer e passar por cima ou desviar do Cerrado (mais quente), vindo a despejar no litoral, como já ocorre, em desastres violentos. Além disso, o Cerrado (61% do território de MS) recebe 600 milhões de litros de agrotóxico por ano. Um recorde planetário, em mais de 15 litros/há/ano, segundo dados da Fiocruz/CPT/CONAB. Glifosato, 2,4-D e atrazina, os primeiros extremos tóxicos, já presentes na água dos rios. Com certeza esse envenenamento geral colocará em colapso o clima e dará fim a rica biodiversidade do Bioma, com efeito na saúde pública e em doenças, como câncer.
As cidades, inchadas e sem infraestrutura, estão doentes. Queimam energia suja (petróleo), com esgoto a “céu aberto”, fossas e despejo clandestino na rede de drenagem. Queima Lixo queimado ou em lixão e esparrama resíduos no ambiente, contaminando a água. Esse um retrato da insalubridade ambiental. Tudo contaminado, água, ar, solo e residências, em criatório de doenças, com microrganismos patogênicos e transmissores, como insetos, roedores, etc. Situação grave, na arborização inadequada. Bom lembrar de pesquisa da TV Morena, realizada em Cuiabá, onde encontrou diferença de 10o C na temperatura, entre região arborizada e sem árvores. Temperatura, umidade relativa, qualidade do ar e paisagem acolhedora é o que as árvores nos oferecem à mais saúde e qualidade de vida.
Enquanto a natureza tinha força, suportava a rapinagem ambiental, mantendo o equilíbrio. Isso acabou, porque a extração predatória é maios do que capacidade regenerativa da natureza. No entanto, a tecnocracia meritocrática vende a ideia de “sempre haver” uma solução técnica a problemas gerados pelo homem. Não é verdade. Essa lógica é absurda. O homem ao criar uma técnica, resolve um problema, mas cria uma constelação de outros. A precaução, não interessa às aves de rapina ambiental.
O agrotóxico é um exemplo do que falo. Uma tecnologia que veio para facilitar negócios globais, mas criou milhares de problemas, sociais, ambientais, culturais e econômicos. Precisou de pouco para confirmar o desastre. Monitoramento da Embrapa, no ano de 2022, detectou 33 diferentes agrotóxicos nas águas do Rio Dourados, responsável por 50% da água distribuída na Cidade e região. Não estaria na água envenenadas as causas de doenças que ocorrem aqui? Será que, daqui a alguns anos, não será o mesmo em organismo geneticamente modificado (OGM)?
Não há dúvidas, a natureza é a vítima da avareza acumulativa do homem. O extrativismo predatório acompanhou a caminhada humana, mas o modelo chegou no fim. A façanha da economia carbonizada foi criar o Aquecimento Global, Efeito Estufa e a iminência de colapso ambiental e climático. Assim, ou muda o modelo, ou andaremos como sonâmbulos, rumo ao precipício. Ou muda agora, ou será tarde.
Neste momento em que a vida está por fio, a inteligência é antecipar o futuro, desaprendendo o errado e aprendendo o certo. Momento da reinvenção. Ou se reinventa formas de reequilibrar o mundo, através do “carbono zero”, ou a temperatura sobe 3o C (já subiu 1,1o C) e deixamos à próxima geração, a escritura da morte. Ou se planta árvores ou faltará água, oxigênio e clima suportável. Ou migra da energia suja para a limpa, ou estaremos sufocados.
Hora de reconstruir. Mais de 800 milhões de árvores foram derrubadas na Amazônia em seis anos (2017 a 2022) para criações de bois, segundo estudo de 02/06/2023. Perto de 1,7 milhão de hectares foram destruídos nos Estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará, em fazendas ligadas aos frigoríficos exportadores: JBS, Marfrig e Minerva. A investigação foi do Bureau de Jornalismo Investigativo (TBIJ) e os veículos The Guardian, Forbidden Stories e Repórter Brasil.
Hora de cuidar e replantar florestas. Ganhar dinheiro com ativo ambiental da modernidade, no mercado de carbono. Hora de apertar os criminosos. PF neles, corte do crédito e discriminação à produção suja, no mercado. Só deve receber dinheiro público, agentes ambientalmente limpos. Correta a posição do BNDS e a inicial da Febraban.
Dia do Meio Ambiente – dia de refletir. Agricultura de baixo carbono e cidades saudáveis. Ou se troca o modelo carbonizado pela Bioeconomia ou encerramos a vida, sem levar no caixão a acumulação feita aqui.
Pensem nisso!
* É Consultor