Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
ERMÍNIO GUEDES

Um dia da Natureza Revoltada (5 de junho)

05 de junho 2023 - 16h17 Por Ermínio Guedes
Um dia da Natureza Revoltada (5 de junho) foto erminio

Dia de lembrarmos do meio ambiente. Um dia quem deveria ser das escolas levarem as crianças em praças e parques a plantar e cuidar das árvores. Também, das escolas ensinarem o significado na natureza e os cuidados com espaços ambientais importantes, a exemplo do córrego laranja doce. Sim. É preciso mostrar o caminho pela ponte do futuro.

A rigor, uma crítica à educação que deveria se orientar pelo paradigma da sustentabilidade, em vez da omissão constitucional e a Lei n.º 9.795/99, da educação ambiental. Já conheço o argumento do ensino ambiental interdisciplinar. Forma conveniente do “faz de conta”, afinal à economia carbonizada não interessa o silêncio da educação ambiental.  

Dia da população refletir sobre as razões da natureza revoltada. Os rurais fazerem um balanço dos erros que comete na natureza e os urbanos no “pouco caso” com a salubridade e com a paisagem das cidades. O meio rural urbano virou crematório florestal e despejo de venenos e as cidades fábricas de doenças, na força da poluição ambiental.

Sim. As florestas são derrubadas e queimadas para alimentar a economia que queima e usa a cinza na concentração da renda e na exclusão social. Um sistema absolutamente insustentável. Se somada a energia gasta para produzir 1 kg de commodities agrícola, será menor do que a energia obtida no produto final. Ou seja, o balanço energético entre perdas ambientais x benefícios socioeconômicos e culturais, tem saldo negativo. 

Cenário que preocupa. O Bioma Cerrado, o segundo do País, está sendo derretido em soja e gado, podendo aumentar nas restrições das EU aos produtos da Amazônia. Pois bem, grande efeito disso no “berço das águas” (já perdeu 30%) e nas principais bacias hidrográficas, como a do Rio Paraguai (seca o Pantanal). Os “rios voadores”, que nascem na Amazônia poderão enfraquecer e passar por cima ou desviar do Cerrado (mais quente), vindo a despejar no litoral, como já ocorre, em desastres violentos. Além disso, o Cerrado (61% do território de MS) recebe 600 milhões de litros de agrotóxico por ano. Um recorde planetário, em mais de 15 litros/há/ano, segundo dados da Fiocruz/CPT/CONAB. Glifosato, 2,4-D e atrazina, os primeiros extremos tóxicos, já presentes na água dos rios. Com certeza esse envenenamento geral colocará em colapso o clima e dará fim a rica biodiversidade do Bioma, com efeito na saúde pública e em doenças, como câncer. 

As cidades, inchadas e sem infraestrutura, estão doentes. Queimam energia suja (petróleo), com esgoto a “céu aberto”, fossas e despejo clandestino na rede de drenagem. Queima Lixo queimado ou em lixão e esparrama resíduos no ambiente, contaminando a água.  Esse um retrato da insalubridade ambiental. Tudo contaminado, água, ar, solo e residências, em criatório de doenças, com microrganismos patogênicos e transmissores, como insetos, roedores, etc. Situação grave, na arborização inadequada. Bom lembrar de pesquisa da TV Morena, realizada em Cuiabá, onde encontrou diferença de 10o C na temperatura, entre região arborizada e sem árvores. Temperatura, umidade relativa, qualidade do ar e paisagem acolhedora é o que as árvores nos oferecem à mais saúde e qualidade de vida.

Enquanto a natureza tinha força, suportava a rapinagem ambiental, mantendo o equilíbrio. Isso acabou, porque a extração predatória é maios do que capacidade regenerativa da natureza. No entanto, a tecnocracia meritocrática vende a ideia de “sempre haver” uma solução técnica a problemas gerados pelo homem. Não é verdade. Essa lógica é absurda. O homem ao criar uma técnica, resolve um problema, mas cria uma constelação de outros. A precaução, não interessa às aves de rapina ambiental. 

O agrotóxico é um exemplo do que falo. Uma tecnologia que veio para facilitar negócios globais, mas criou milhares de problemas, sociais, ambientais, culturais e econômicos. Precisou de pouco para confirmar o desastre. Monitoramento da Embrapa, no ano de 2022, detectou 33 diferentes agrotóxicos nas águas do Rio Dourados, responsável por 50% da água distribuída na Cidade e região. Não estaria na água envenenadas as causas de doenças que ocorrem aqui? Será que, daqui a alguns anos, não será o mesmo em organismo geneticamente modificado (OGM)?  

Não há dúvidas, a natureza é a vítima da avareza acumulativa do homem. O extrativismo predatório acompanhou a caminhada humana, mas o modelo chegou no fim. A façanha da economia carbonizada foi criar o Aquecimento Global, Efeito Estufa e a iminência de colapso ambiental e climático. Assim, ou muda o modelo, ou andaremos como sonâmbulos, rumo ao precipício. Ou muda agora, ou será tarde.

Neste momento em que a vida está por fio, a inteligência é antecipar o futuro, desaprendendo o errado e aprendendo o certo. Momento da reinvenção. Ou se reinventa formas de reequilibrar o mundo, através do “carbono zero”, ou a temperatura sobe 3o C (já subiu 1,1o C) e deixamos à próxima geração, a escritura da morte. Ou se planta árvores ou faltará água, oxigênio e clima suportável. Ou migra da energia suja para a limpa, ou estaremos sufocados. 

Hora de reconstruir. Mais de 800 milhões de árvores foram derrubadas na Amazônia em seis anos (2017 a 2022) para criações de bois, segundo estudo de 02/06/2023. Perto de 1,7 milhão de hectares foram destruídos nos Estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará, em fazendas ligadas aos frigoríficos exportadores: JBS, Marfrig e Minerva. A investigação foi do Bureau de Jornalismo Investigativo (TBIJ) e os veículos The Guardian, Forbidden Stories e Repórter Brasil.  

Hora de cuidar e replantar florestas. Ganhar dinheiro com ativo ambiental da modernidade, no mercado de carbono. Hora de apertar os criminosos. PF neles, corte do crédito e discriminação à produção suja, no mercado. Só deve receber dinheiro público, agentes ambientalmente limpos. Correta a posição do BNDS e a inicial da Febraban.  

Dia do Meio Ambiente – dia de refletir. Agricultura de baixo carbono e cidades saudáveis. Ou se troca o modelo carbonizado pela Bioeconomia ou encerramos a vida, sem levar no caixão a acumulação feita aqui.

Pensem nisso!  

* É Consultor