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Eudélio Mendonça

Isso fala!

09 de março 2024 - 09h26 Por Eudélio Mendonça
Isso fala! eudelio

Para comemorar o centenário da independência dos Estados Unidos da América, foi realizada, em 1.876, na cidade de Filadélfia (Pennsylvania), uma gigantesca exposição tecnológica -  empreendimento, até então, jamais visto no mundo. Dizem que passaram por lá 10 milhões de pessoas.  (talvez um dado superestimado, já que a população do país na época era de 20 milhões de habitantes – mas isso não muda nada).  Na abertura, várias autoridades. Os convidados mais ilustres eram o presidente dos Estados Unidos e o Imperador do Brasil. O Imperador chegou uns dias antes ao país. Foi saudado por todos com entusiasmo e respeito. Muito festejado mesmo. Era o primeiro monarca a visitar os E.U.A., pelo menos naqueles últimos 100 anos.

O Imperador teve “agenda cheia”. Saia-se muito bem, mercê do seu notório conhecimento sobre diferentes assuntos. Era um sábio. Falava várias línguas: português,  inglês, francês, castelhano, latim, grego, alemão, guarani, tupi, hebraico, etc. Aliás, data vênia, se confrontarmos todos os governantes do Brasil desde o Presidente Deodoro até o atual, não tem  nenhum comparado ao “Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil”: inteligente, culto, ético, constitucionalista, humanista, sensato,  democrático, liberal....

Certo dia, na exposição, dirigindo-se a determinado evento, estava o Imperador  acompanhado de muitas autoridades, membros do júri, cientistas, jornalistas, e o anfitrião (prefeito de Filadélfia), quando  um estande um tanto isolado e que não estava chamando a atenção de quase ninguém, chamou a atenção justamente do Imperador: "Majestade, Imperador do Brasil, conheci Vossa Majestade há duas semanas na escola em Boston. Venha ver o invento que vai revolucionar o mundo". Era o inventor.

Alguém tentou argumentar com este que o  Imperador estava com pressa. Porém, o que poucos alí  sabiam, é que o nosso Imperador era “curioso” demais para deixar  passar a oportunidade de conhecer uma invenção que prometia “revolucionar o mundo”. Além do fato de que o Imperador gostara do jeito entusiasmado daquele jovem.  Assim, devagarinho, o Imperador conseguiu conduzir o cortejo para dentro do desacreditado estande. O expositor quis logo que o Imperador testasse a invenção. Era rapidinho, dizia. O Imperador topou.

Enquanto preparava os apetrechos, o expositor vaticinava: "Majestade, com esse invento, Vossa Majestade poderá, do Rio de Janeiro, conversar diretamente com o nosso amigo prefeito aqui em Filadélfia" (risos: é certo que não pelo invento, mas pela ousadia e, também, pela parafernália de fios que, em razão da euforia, confundia o inventor).

Posicionados o “alto falante” e o “microfone” para o Imperador, o inventor saiu apressadamente até uma cabine instalada a uma distância de mais de cem metros. E, dali, chamou o imperador: Majestade, escuta-me? Sim, escuto. - Vou declamar um trechinho do  poema de Shakespeare para Vossa Majestade: “Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas....”. 

No final, o Imperador parecia encantado, e exclamou algo como: “que coisa, isso fala !!!!”.

O inventor havia retornado, recebendo os parabéns do Imperador: "patenteaste?" - Sim, Majestade, há 4 meses. Falta aprimorar pequenos detalhes e, principalmente, promover a  divulgação. O Imperador: - fica tranquilo que tudo vai dar certo. E, assim que estiver aperfeiçoado, eu vou adquirir um aparelho. Na manhã seguinte, a visita do Imperador do Brasil ao estande do inventor escocês naturalizado americano, foi matéria de capa de jornais do mundo todo. Criador e criatura ficaram famosos da noite para o dia. Os ajustes de aperfeiçoamento  tiveram inaudita celeridade. Passados apenas quatro anos, o Imperador instalava um aparelho no seu palácio e um no gabinete de cada ministro. O Brasil foi o segundo país do mundo a ter o telefone funcionando.

O Imperador tornou-se amigo do inventor que também era professor de surdos-mudos, médico e fonoaudiólogo, e se chamava ALEXANDER GRAHAM BELL.

Esse camarada inventou a “pior e a melhor” coisa do mundo: o telefone.

Salve o Imperador Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador  Bibiano  Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga - D. Pedro II. 

Salve Graham Bell.

Salve 10 de março – Dia do telefone.