Existe uma ilusão perigosa nas empresas, de que contratar com base num currículo recheado de cursos técnicos e que demonstra familiaridade com a IA sejam as garantias para uma performance brilhante. Ledo engano…optar por quem saiba fazer o trabalho, ao invés de aprovar quem queira de fato fazê-lo é criar um time de “profissionais padrão”, com alto risco de se tornarem obsoletos num curto espaço de tempo.
Selecionar um candidato pelas hard skills, pela promessa de habilidade, não evita a demissão por soft skills, pelo comportamento diante das demandas e desafios. A ideia faz sentido, uma vez que é mais fácil ensinar alguém a operar um sistema complexo, do que ensinar a pessoa a ter empatia, resiliência e brilho no olho. Portanto, desconsiderar o perfil pessoal é um processo caro para a companhia, cansativo para a equipe e nocivo à cultura organizacional.
Quando um problema inesperado surge, o funcionário que tem apenas conhecimento trava ou se esconde atrás de um processo burocrático. Já o colaborador que tem atitude, se compromete com a solução e apresenta proatividade. Diante de uma intercorrência, ele diz “deixa que eu resolvo”, ao invés de “isso não é comigo”.
A sensibilidade é outra habilidade fundamental e que não é treinável. Num cargo de atendimento ao público, por exemplo, quem traz essa característica para o dia a dia é capaz de perceber o tom de voz do cliente já no início da interação e adaptar o discurso antes que haja a primeira reclamação.
Resiliência sobre situações negativas que já ocorreram também é uma capacidade importante, pois a pessoa que traz essa característica não encara críticas como ataques pessoais, mas como uma oportunidade de reverter o jogo.
Alguns pontos de atenção durante a entrevista podem ajudar a selecionar melhor, como a curiosidade, por exemplo. Quem faz perguntas sobre a empresa demonstra interesse sobre a vaga e a organização. O tom de voz e a postura também revelam entusiasmo ou desânimo, o que já funciona como critério. E para finalizar, é interessante obter exemplos reais de situações em que o candidato foi além do esperado para contribuir num processo da corporação, para potencializar um resultado ou auxiliar alguém.
Uma vez que você tenha pessoas com a "atitude certa" dentro de casa, o treinamento técnico se torna uma via expressa. Pessoas motivadas aprendem novas ferramentas em dias. Pessoas desmotivadas, por mais competentes que sejam tecnicamente, levarão meses para entregar o mínimo necessário.
Olhe para o seu time hoje. Se você tivesse que recomeçar sua empresa agora, você contrataria novamente todos os integrantes? Se a resposta for "não" para alguns nomes, preste mais atenção ao critério de seleção. Pare de buscar apenas digitadores e operadores de sistema e busque no mercado quem tenha fome de servir.
* É palestrante de vendas, CEO da CDPV Companhia de Palestras, autor de oito livros e apresentador do Podcast de Vendas no ar desde 2009, diariamente






