Cerca de 150 policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) já ocupam os morros da Matriz, São João e Quieto, no Engenho Novo, para a instalação da 14ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), o que deve ocorrer dentro de 40 dias. A ação beneficiará cerca de dez mil moradores.
A tropa de elite da Polícia Militar entrou na comunidade por volta das 7h30 e pouco depois montou seu centro de operações na rua Deputado Átila Nunes, uma rua residencial, num dos acessos o morro São João. Um trator, um Caveirão, um ônibus e duas picapes dão apoio à operação. A UPP deverá contar com um efetivo de 206 policiais.
Além disso, PMs dos Batalhões da Tijuca (6ºBPM) e do Méier (3º BPM) ajudam no patrulhamento nas áreas próximas às comunidades e fazem revistas em carros que passam pelo local.
Os agentes do Bope estão conversando com alguns moradores e revistando casas. Até às 9h05 desta quinta, ninguém havia sido preso e não foram apreendidas drogas e armas. Foi encontrada apenas uma caixa com fogos de artifício, usados pelos traficantes para informar sobre a chegada da polícia durante operações.
Segundo o Capitão Ivan Blaz, Relações Públicas do Bope, a ocupação do Morro dos Macacos, que fica do outro lado do maciço, facilitará a instalação da UPP, que deve ser concluída em 40 dias.
- A escolha das comunidades passa por um planejamento estratégico já traçado pela Secretaria de Segurança Pública. Porém, é natural que, depois da ocupação do morro dos Macacos, nós ocupássemos a parte posterior daquela região, que seriam essas três comunidades. Como já ocupávamos a área dos Macacos, acreditamos que a ocupação dessas comunidades seja mais tranquila e também mais rápida, em torno de 40 dias.
Ainda de acordo com Blaz, a região do Engenho Novo é uma área de grande acesso à mata atlântica e isso pode tornar a operação um pouco mais difícil, caso os marginais tentem fugir. Porém os moradores estão contribuindo com a polícia passando informações.
- Eles, mais do que ninguém, querem ver o fim do tráfico armado no Engenho Novo.
Blaz reafirma ainda que o objetivo da operação é a retomada do território ocupado pelo tráfico armado e devolver à comunidade a segurança e a dignidade, vítima da guerra entre traficantes rivais.
A ocupação da região é estratégica porque fica às margens da rua Marechal Rondon, uma das principais da zona norte do Rio, que corta vários bairros e serve como rota de fuga para criminosos, onde há grande incidência de assaltos.
Traficantes que dominavam estas comunidades e o morro dos Macacos eram ligados à facções rivais e os tiroteios entre os grupos eram frequentes. No mais violento deles, em outubro de 2009, um helicóptero da PM foi derrubado e três PMs morreram.