Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Polícia

Consumo de crack em classe média e alta aumenta em todo o País

27 de janeiro 2011 - 16h06 Por Redação Douranews, com Waldemar Gonçalves - Russo
Consumo de crack em classe média e alta aumenta em todo o País
Uma pesquisa em nível nacional mostra que o consumo da pedra de crack aumentou em torno de 500% a 600% nos últimos meses e as classes média e alta foram as mais atingidas pelos traficantes da poderosa droga, enquanto o uso de cocaína teve uma queda significante, assim como a maconha.

Em Dourados a situação não é diferente das outras cidades brasileiras, segundo apurado pela reportagem. Constantemente pessoas são flagradas consumindo ou comercializando drogas, principalmente o crack, nos mais diversos pontos da cidade. Já não surpreende o movimento do tráfico em bairros como o Jardim Clímax, o Jardim Flórida, o Parque das Nações, Novo Horizonte, Canaã I, II, III, IV, Jardim Pantanal e Jardim Itália, entre outros da periferia.

Na região central, em locais como as imediações da antiga prefeitura, [na Rua Joaquim Teixeira Alves e adjacências] e na praça Mário Correia [em frente ao Hospital Evangélico, no acesso ao Terminal de Transbordo], entre outros, constantemente pessoas podem ser vistas usando ou vendendo entorpecentes.

O crack é um subproduto, bem mais barato que a cocaína, e tem efeito destruidor e bem maior que todas as demais drogas. A sua dependência não têm cura e não há remédios que evitem recaídas e, por isso, os dependentes precisam de acompanhamento constante de psiquiatras, psicólogos e, principalmente, da ajuda das suas famílias.

Estatísticas apontam que, há três anos, havia mais usuários de cocaína, álcool ou maconha. No entanto, estes números mudaram, pois segundo foi apurado, quase 100 % dos viciados estão fazendo uso do crack.

O dependente desta droga geralmente se isola e usa todos os seus recursos no consumo. Quando o dinheiro acaba, começa as criar dívidas e, com elas, os furtos e roubos para adquirir o subproduto e sustentar o vício.

A impressão de que os usuários têm origem social pobre é falsa, pois o crack é que empobrece os usuários e rapidamente eles se marginalizam. Além disso, o tratamento em clínicas particulares não sai por menos de R$ 15 mil. Aqueles que não têm mais recursos geralmente procuram o atendimento dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).

Estratégia

Partindo da comprovação de que “nem todos os usuários de crack são das camadas pobres, mas que a droga empobrece a todos”, a melhor estratégia para afastar os jovens das drogas, segundo os especialistas, envolve uma múltipla abordagem.

Primeiro, a intervenção da família, que não pode “se acanhar”, sabendo do problema que invadiu sua casa. Em seguida, vem o tratamento contra a dependência química. A busca de alternativas à droga - que pode ser através da fé ou por um propósito na vida - e o apoio comunitário (da igreja, dos amigos e/ou dos grupos especializados, como os Narcóticos Anônimos) para manter a pessoa longe do mundo das drogas.

Por outro lado, uma máxima da medicina preconiza que quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil será a cura. Esse principio vale também para a dependência química.

Os Pais

Para os especialistas, os pais precisam se relacionar mais com os filhos, saber o que eles pensam e como se divertem, principalmente nas baladas noturnas. A falta de diálogo, que é uma constante nas famílias que procuram tratamento para um dos seus membros que estaria utilizando drogas, em especial o crack, pode impedir que os pais percebam o problema nas fases iniciais, que além gerar a incapacidade de fazer um diagnóstico cedo, leva a outras dificuldades para agir.

Preconceito

Por falta de informação, preconceito ou incapacidade de enxergar a dureza da realidade que está ali, à frente da família, muitas pessoas geralmente não sabem a quem recorrer ou não admitem a idéia de que a dependência seja uma doença crônica.

Através de uma pesquisa constatou-se que a maioria dos consultados que demoraram a procurar tratamento para um dos integrantes da família que estaria viciado em crack, além de atribuir, costumam responsabilizar as companhias dos filhos ou então, tratam o problema como uma questão moral, de sem-vergonhice ou falta de auto-estima dos dependentes.

Em Dourados

Em relação a Dourados, hoje é possível informar que uma grande camada de jovens ligados a denominada classe média e alta já estão envolvidos com as mais variadas drogas, em especial o consumo da pedra de crack. Todavia, pouca coisa ou nada está se fazendo para conter este avanço. Uma boa alternativa seria realizar um trabalho conjunto envolvendo as Polícias Federal, Militar e Civil, o Ministério Público, o Poder Judiciário e a sociedade organizada, através dos Rotary, Lions e Maçonarias, numa verdadeira, incansável e ostensiva frente de combate aos traficantes que ,apostando na impunidade, estão atuando tanto nas periferias, quanto na área central da cidade, quer seja durante o dia ou no período noturno e em maior escala de vendas nos finais de semanas e feriados prolongados.

Eletrônicos de Ponta

Hoje é possível verificar que, quando há o fechamento de algum ponto de venda de drogas na cidade, acontecem apreensões de produtos eletrônicos que estariam em poder dos traficantes, que são considerados “de ponta”, como telefones celulares, aparelhos de som, e DVDs, entre outros, que normalmente integrantes de classe média e alta possuem. É claro que, também estão entre os objetos aqueles conseguidos em arrombamentos seguidos de furtos, geralmente praticados pelos “caxangueiros”, como são denominados nos meios policiais os ladrões de residências. Tudo é trocado ou deixado com o traficante, como garantia ou pagamento de dívidas, ou para a aquisição de drogas como o crack.

“É muito fácil um filho chegar em casa e dizer para os pais que teve o seu celular furtado ou que o teria perdido quando estava em uma festa. O correto mesmo seria os pais realmente averiguarem se tal fato realmente aconteceu”, diz um experiente policial militar. Ele diz ainda que é muito comum registrar a presença de variados tipos de veículos pertencentes à classe média e alta circulando pela periferia da cidade, principalmente nos finais de semanas ou nos feriados prolongados, porém não podem ser abordados para uma averiguação, pois a guarnição corre o risco de ser mal interpretada na ação, já que baseados na Constituição, todos alegam ter o direito de ir ou vir, salvo aqueles que realmente estariam agindo de uma forma claramente suspeita”, contou o mesmo policial.

Os Efeitos do Crack

Para quem não sabe qual são os efeitos de uma das mais avassaladoras drogas do mundo na atualidade, a pedra de crack, a reportagem tevê acesso a pesquisas e reproduz aos leitores para que eles possam entender o quanto esta droga é maléfica e o quanto está destruindo milhares de crianças, adolescentes e também adultos tanto em Dourados como em todo o país. O crack é uma droga que faz seu caminho através do cérebro, tendo uma devastadora no organismo.

Trajeto em 4 Fases

Mistura da pasta base de cocaína com água e bicarbonato de sódio, o crack é vendido na forma de pedras e fumado em cachimbos. Uma vez acesa, a pedra libera uma fumaça que é cocaína pura, em alta concentração. Inalada, vai direto aos pulmões.

Pelos alvéolos pulmonares a fumaça cai na circulação sanguínea e chega ao cérebro. Em apenas 12 segundos, a “baforada” - ou tragada - chega até ao sistema nervoso, onde começa a fazer o efeito.

No sistema nervoso central, o crack age sobre os neurônios e bloqueia a absorção do neurotransmissor responsável pela sensação de prazer, a dopamina. Isso mantém a substância química por mais tempo no espaço entre os neurônios, o que causa um aumento das sinapses prazerosas provocadas pela dopamina.

Sensações do Crack

Com a concentração anormal de dopamina estimulando os receptores do cérebro, as primeiras sensações são descritas como um relâmpago, o chamado “tuim”, na linguagem dos usuários, seguida de uma taquicardia, euforia, desinibição, agitação e bem-estar. A alegria dura pouco e o crack é distribuído pelo organismo por meio da circulação sanguínea.

A droga é metabolizada no fígado e a sua eliminação é feita através da urina. Em dez a 15 minutos o cérebro “percebe” o excesso de receptores e reduz sua quantidade. As sinapses tornam-se lentas - é a fase da depressão e da “fissura”, ou seja, a vontade incontrolável de sentir os efeitos do crack de novo.

O uso prolongado do crack danifica a área frontal do cérebro, responsável pelo planejamento, pensamento, controle dos impulsos. Por isso o usuário de crack tende a ser violento, desorganizado. Quando o usuário entra em um estágio mais avançado do consumo, passa a ficar relapso inclusive com a sua higiene pessoal.

Números

Até o final do ano passado pesquisas indicavam que no país existe de 600 mil a 1,2 milhão de usuários da pedra de crack e que a idade média para o início do uso dela seria 13 anos.

Em 2002, vale ressaltar, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) rastreou 131 usuários de crack tratados em São Paulo e destes, apenas 33% ficaram curados, enquanto outros 20% morreram, 17% voltaram ao uso da droga e 10% foram parar na cadeia. Na mesma pesquisa, outros 20% de usuários sumiram.

Outra pesquisa apontou que nos últimos dois anos, entre os dependentes químicos tratados na Rede Estadual de Saúde de São Paulo, o número de pessoas que ganham acima de 20 salários mínimos cresceu 155%, dos quais de 60% a 70% são considerados de classe média e principalmente da alta sociedade, o que comprova que há uma epidemia de crack no Brasil – uma doença sem barreira socioeconômica. Em Dourados não seria diferente, segundo informações apuradas pela reportagem, o que não deixa de ser uma triste realidade, principalmente porque a maioria dos usuários são adolescentes com idade entre 14 e 21 anos.

Rotina

Embora os números de fechamentos de “pontos de vendas de drogas” em Dourados ainda seja ínfimo, devido à “proliferação” de traficantes que atuam tanto nas periferias como na área central da cidade, é uma rotina, lermos matérias policiais com este titulo: “Mais um ponto de venda de drogas é fechado”, nos sites, programas policiais das emissoras de rádios e jornais impressos.

Nesta quarta-feira, por exemplo, a Polícia Militar fechou às 22h30 mais um ponto de venda de drogas na cidade. Segundo a polícia, depois de uma denúncia anônima de que haveria uma moto roubada em uma residência, ao checar as informações o ciclomotor não foi localizado, porém no local havia mais de 60 papelotes de cocaína e pedras de crack.

Conforme consta no boletim de ocorrência, o fato ocorrido na residência, localizada à rua Miguel Daniel da Silva, nº38, estavam três homens e duas mulheres, sendo eles Everton Paulo da Silva, o “Camaleão”, 29, que possuía 29 papelotes das drogas e Silvanei Rodrigues da Silva, de 33 anos, que estava com 34 papelotes de cocaína.

A dupla foi autuada em flagrante por tráfico de drogas na delegacia da Polícia Civil, e colocada à disposição da justiça.