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Marinha paraguaia ataca a PF brasileira em apoio ao tráfico, diz Veja

25 de março 2011 - 22h18 Por Redação Douranews, com ABC Color / Veja
Marinha paraguaia ataca a PF brasileira em apoio ao tráfico, diz Veja
Agentes Especiais da Delegacia de Polícia da Polícia Marítima Guaíra, no Brasil, relatou ataques nos últimos meses pela Marinha paraguaia. Policiais federais acusam militares paraguaios de encobrir o tráfico de drogas. O relatório completo foi publicado Portal Veja, com vários documentos anexados


Às 17:14 na sexta-feira 18 de março, um oficial da Polícia Federal que trabalha na cidade de Guaíra, Paraná, na fronteira com o Paraguai, enviou um e-mail pedindo ajuda para a Federação Nacional de Polícia Federal em Brasília . Ele relatou que em pelo menos três ocasiões recentes, oficiais da Marinha paraguaia trocaram tiros com a polícia brasileira, dando cobertura aos traficantes e contrabandistas do Rio Paraná, na divisa com a cidade paraguaia de Salto del Guairá.

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Na quarta-feira seguinte o presidente da Federação Nacional da Polícia Federal, Marcos Wink, decidiu reagir. "A Marinha do Paraguai está atirando contra os agentes brasileiros e ninguém faz nada", diz ele. Wink procurou o deputado Paulo Pimenta, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou, em 2006, o contrabando de armas no Brasil. Pimenta poderia servir como uma ponte para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Queremos divulgar ao mundo a realidade da fronteira", diz Wink indignado.

Nos e-mails que o site da Veja teve acesso, os agentes da Delegacia Especial de Polícia Marítima (DEPOM) de Guaíra, informaram que a Marinha paraguaia havia recebido propina de traficantes e contrabandistas para atirar com armas pesadas contra a polícia brasileira. O objetivo seria permitir que, em troca do dinheiro, o tráfico de drogas continuasse a se desenvolver com impunidade na região.

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Um dos ataques registrados pela Federação Nacional de Polícia Federal, ocorreu por volta das 00:00 de 17 de março, uma quinta-feira. Dois agentes da Polícia Federal de Guaíra embarcaram em um barco para iniciar uma patrulha de rotina no rio Paraná, quando viu um barco de alumínio, pintado de verde e equipado com motor, correr em direção ao Paraguai. Imediatamente, eles exigiram o piloto parasse e durante a abordagem descobriram uma carga de pneus clandestina. Como de costume, o barco foi apreendido e levado para a Delegacia de Polícia de Guaíra.

A 200 metros do cais, em águas brasileiras, os agentes perceberam que um barco da Marinha do Paraguai, com cabine fechada, acelerou em direção ao navio apreendido, que era escoltado pela Polícia Federal. Quando os paraguaios chegaram a 100 metros, abriram fogo com uma metralhadora calibre 30 utilizada para derrubar helicópteros montada na proa e apontada na direção da polícia brasileira. Eles revidaram com 60 tiros de fuzil HK G36, uma arma muito menos potente, cuja munição terminou rapidamente, obrigando aos federais recuarem. Com isso, o barco da Marinha paraguaia se aproximou e levou de volta o barco.

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Em um e-mail enviado em 21 de março, um dos agentes de Guaíra, diz que nos últimos dois anos houve pelo menos cinco reuniões entre a Marinha do Paraguai e da Polícia Federal, alega as condições precárias das embarcações brasileiras e revela que integrantes da Polícia Federal recomendaram o cessar fogo no rio. Nele também há a denúncia que uma licitação aberta para comprar um barco para a Polícia Federal de Guaíra blindado, foi interrompida sem nenhuma razão aparente.

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Uma reportagem publicada na Folha de São Paulo em maio de 2010, também confirma que não foi a primeira vez que as forças brasileiras e paraguaias trocaram tiros na região. Na matéria, um delegado da Polícia Federal afirma que haviam ocorrido, desde março daquele ano, mais de 20 confrontos entre agentes federais brasileiros e a Marinha paraguaia em Foz do Iguaçu, sendo que apenas em um dia, três tiroteios foram registrados.

Em 16 de agosto de 2010, num documento de circulação interna da Polícia Federal, que a revista Veja também teve acesso,  um chefe da Polícia Federal de Guaíra alertou a Delegacia de Polícia da Polícia Federal na cidade que a Marinha tinha recebido de presente, dos traficantes, um motor de popa de 300 hm, com o objectivo de perseguir as lanchas da polícia brasileira.

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A Marinha paraguaia passou a vigiar a fronteira com o Brasil em março de 2005, depois que o Ministério Público do Paraguai foi avisado de que a polícia estaria facilitando o contrabando feito por navios na região. A Federação Nacional da Polícia Federal informou que os tiroteios estão se tornando cada vez mais freqüentes, porque a polícia brasileira estaria frustrando muitas tentativas de passagem ilegal de barcos no rio Paraná. De 2007 até 2011, 163 barcos foram apreendidos pela Polícia Federal na fronteira do Paraná.