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Agrotóxico falsificado leva três para a cadeia em Rondonópolis

14 de abril 2011 - 17h20 Por Redação Douranews
Agrotóxico falsificado leva três para a cadeia em Rondonópolis
A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, 12, em Rondonópolis, três pessoas e apreendeu cerca de 4 mil litros de agrotóxicos falsificados e provavelmente contrabandeados. Após o recebimento de denúncia, os policiais acompanharam por alguns dias a quadrilha, que utilizava um sítio na cidade para armazenar parte do agrotóxico que seria distribuída para os compradores. Na saída do local os policiais abordaram por volta das 9h30 dois homens que saíam em uma caminhonete F4000 com 1400 litros de produtos falsificados.  A dupla e o dono do sítio foram presos e trazidos à delegacia.

Como o depoimento de todos coincidia sobre quem era o dono da carga que estavam respectivamente armazenando, transportando e comprando policiais foram enviados para localizar a fazenda do falsário entre os municípios de Rondonópolis e Poxoréu. Após horas de busca, seguindo rastros de trator finalmente foi possível encontrar camuflado na mata em diversas caixas mais de 2.500 litros de agrotóxicos com o mesmo tipo de embalagem. Pelo valor de mercado tais produtos originais valeriam mais de R$ 350 mil, não sendo possível avaliar quanto foi gasto na produção ou o valor das falsificações no momento.

O uso indiscriminado de agrotóxicos contrabandeados e falsificados tem causado problemas sérios já no curto prazo, não só para a Polícia, mas para a Saúde Pública em Mato Grosso. Pela experiência demonstrada pela análise de produtos falsificados apreendidos, muitas vezes são usado princípios ativos extremamente nocivos à saúde humana e à fauna local, que entretanto tem um custo muito inferior aos dos produtos mais modernos. Outras tantas vezes o prejudicado é somente o produtor, pois é comum que se faça a diluição dos produtos, sendo comum encontrar produtos com apenas 10 ou 20% do princípio ativo original.

Em estudo divulgado esse ano pela UFMT, foi constatada a presença de traços de agrotóxico no leite materno na maior parte das mulheres testadas em Lucas do Rio Verde, inclusive de produtos banidos no Brasil há décadas, mas ainda fabricados na China e Uruguai. A contaminação da água e dos alimentos quase certamente se repete em outras regiões produtoras e pode trazer defeitos genéticos nos bebês nascidos de mães contaminadas, além de aumentar exponencialmente os casos de câncer a longo prazo.

Por conta dessas consequências é essencial o apoio ao trabalho de repressão desse comércio por parte da Polícia Federal, Anvisa, Ministério da Agricultura e dos órgãos de fiscalização ambiental. Portanto quem puder informar a respeito de quem fabrica, vende e armazena tais mercadorias nocivas deve fazê-lo através do plantão da Polícia Federal (sem necessidade de identificar-se), uma vez que os produtos contrabandeados hoje são disfarçados com falsificações variadas, e é difícil identificar falsários e contrabandistas sem esse apoio da população.