O estuprador Robson Vander Lan, de 29 anos, que virou manchete em todos os jornais depois do caso de estupro contra uma estudante da UFMS, no campus da capital do Estado, revela, em entrevista ao site Campograndenews, que perdeu as contas de quantas vítimas já fez. Ele é apontado pela polícia como autor de sete estupros contra mulheres, entre elas crianças e adolescentes.
Vestidos com as mesmas roupas desde que foi preso, na terça-feira (12), Robson não vê o comportamento como doença. Questões familiares, sobre como cresceu e a relação com a família ele prefere não responder. Os antigos crimes, como o homicídio da ex-namorada que estava grávida, parecem não ter importância, assim como as vítimas de estupro.
Ex-presidiário e tatuador, ele tem o corpo marcado pelo trabalho. Ao todo, 24 tatuagens inspiradas em músicas do grupo de rap Racionais, e uma gravada no órgão genital, com a inscrição “baixinha”, em homenagem, segundo ele, a uma ex-namorada.
O estuprador diz que não se recorda do número de mulheres, crianças e adolescentes que violentou. Segundo ele, os casos eram apenas assaltos, mas o impulso e a vontade vinham em seguida.
Durante a entrevista, dos crimes atribuídos a ele pela polícia, Robson assumiu apenas o estupro mais recente, da estudante de Química da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Sem preferência nem escrúpulos, ele afirma que optava por pessoas que seguiam a rotina. Não importava horário nem idade, desde que estivessem em locais de pouca visibilidade.
No dia do crime da UFMS, ele diz que só precisava de dinheiro. Não tinha preferência pela pessoa ou local em que o roubo seria cometido. Ele “só” estava de passagem pela universidade, o destino era o bairro Aero Rancho, mas a fragilidade da estudante chamou a atenção. Ela passava sozinha pelo local em plena luz do dia. “Eu ia só pegar as coisas. Mas não sei, aconteceu”, fala.
Discriminação
Durante a entrevista, o jornal perguntou se ele tinha irmãs mulheres. A resposta foi afirmativa. Questionado sobre como ele se sentiria se uma irmã fosse estuprada, Robson respondeu imediatamente que iria “correr atrás do cara”, acrescentando, em seguida, em tom de descaso, mesmo na condição de irmão de suposta vítima que ela [a irmã dele] “mora lá em Ribeirão Preto e é só uma irmã por parte de pai”.
Mesmo diante da frieza e tranquilidade nas respostas, Robson reclama da “discriminação” que vem sofrendo desde que os casos foram descobertos. Ele diz estar sendo humilhado pela situação. “Eu não sou um monstro como vocês me vêem. Eu sou um ser humano como você. Não é só porque eu fiz isso que eu preciso ser humilhado assim”.
Na tarde em que foi preso, Robson conta que foi até a Polícia Militar porque sabia que estavam procurando por ele. Ele se apresentou como autor de outro crime, foi ouvido e liberado e ficou pelas redondezas. “Eu estava esperando, sabia que iam me pegar, era só esperar”. Quando questionado se não tem medo da violência que vai sofrer quando chegar a cadeia, afirma que “quem está com Deus não precisa estar com medo”.