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Promovido, Galloni vai assumir a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado na Capital

09 de maio 2011 - 19h54 Por Redação Douranews
Promovido, Galloni vai assumir a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado na Capital

Transferência do delegado é avaliada como promoção e permissão para ampliação do trabalho que foi iniciado na cidade de Dourados

Próximo a ser transferido para a Superintendência Regional da Polícia Federal, onde assumirá a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, o delegado da Polícia Federal, Bráulio César Galloni recebeu o Douranews em seu gabinete, quando falou sobre a sua transferência, os rumos da Operação Uragano (furacão, em italiano), delação premiada de Eleandro Passaia e outros assuntos.

Para ele, a ida para o novo posto, que ele encara como promoção (“que de fato é”, diz Galloni) permitirá a ampliação do trabalho que foi desenvolvido em Dourados para todo o Mato Grosso do Sul.

Douranews: O senhor avalia que sua transferência para Campo Grande seria uma repercussão ao trabalho que foi desenvolvido em Dourados?

Galloni: Olha, aceitei o convite do futuro superintendente regional para assumir a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, que é uma delegacia que vai me possibilitar fazer o trabalho que eu comecei em Dourados, mas em nível de estado. Ela é uma delegacia de suma importância na superintendência; a ela estão subordinadas delegacias importantes, como a delegacia de repressão ao tráfico de entorpecentes, delegacia de tráfico de armas, delegacia de crimes financeiros, entre outras. É uma promoção que muito me envaideceu, claro que motivada por todo o trabalho que foi feito em Dourados nesses nove anos que estou aqui. Então foi o resultado de um trabalho árduo - o enfrentamento ao crime organizado, e eu encaro como uma promoção [que de fato é] e me entusiasmou para fazer um novo trabalho agora em nível de Estado.

Douranews: Então podemos dizer que todo esse trabalho que repercutiu na imprensa de Dourados e de todo o País, onde a cidade apareceu como um lugar que aconteciam crimes contra o patrimônio público. Isso poderá ser descoberto em outras cidades também?

Galloni: É... Como delegado regional de combate ao crime organizado vou poder fazer o trabalho que fazia aqui em todo o Estado. O trabalho que foi feito em Dourados e na região ele vai poder ser ampliado a todos os municípios do Mato Grosso do Sul.

Douranews: Há uma pergunta que até hoje ficou sem resposta. Eleandro Passaia teve ou não teve a “Delação Premiada”; e se teve, como foi que isso se deu?

Galloni: Bom... Houve um acordo de delação premiada proposto pelo Ministério Público ao então secretário Eleandro Passaia. Mas o acordo de delação premiada foi apenas um instrumento que garantiu ao Ministério Público que todas as provas que existissem em poder do então secretário fossem colocadas à disposição do MP.

Douranews: O acordo beneficia o ex-secretário de alguma forma?

Galloni: Esse acordo de delação premiada, de forma alguma, é uma carta branca ao então secretário, até porque, se algum fato for descoberto que o envolva, seja este fato cometido durante as investigações, ou antes delas, certamente isso vai trazer responsabilidade para ele (Passaia). O acordo de delação premiada não o exime de responsabilidades. Apenas garante que todas as provas que ele tem em poder dele sejam apresentadas.

Douranews: E nos processos, Passaia aparece como réu ou como testemunha?

Galloni: Em todos os processos o então secretário está como testemunha. Não foi indiciado, não foi denunciado, não é réu de nada. Ele é apenas testemunha.

Douranews: O senhor já havia dito ao Douranews, em entrevista anterior, que contra todos os 60 indiciados não havia indícios - havia provas. É nesse mote que a Justiça está trabalhando... Que há provas desse envolvimento?

Galloni: Esse envolvimento ficou tão claro que levou ao indiciamento deles. E fez que a PF denunciasse todos eles. Eles são tão envolvidos que são réus em ações penais que estão correndo na justiça.

Douranews: Em sendo assim, como o senhor vê o caso dos dois vereadores que embora indiciados ficaram em liberdade e continuam exercendo seus mandatos?

Galloni: Numa investigação policial, a função da polícia é identificar condutas criminosas e os seus autores. A Polícia Federal identificou condutas criminosas desses dois vereadores – Dirceu Longhi e Gino Ferreira – tanto é que indiciou os dois, por crimes que entendeu por eles cometidos. Agora, se eles estão no cargo, já não compete à Polícia Federal. Aí é um procedimento que a Câmara tem que ter a coragem de fazer, de afastá-los ou então de cassar os mandatos.

Douranews: Os envolvidos que foram presos hoje estão soltos e até desafiando a polícia. Como o senhor vê isso?

Galloni: Olha, a Polícia Federal respeita todas as instâncias judiciais, todas as decisões do judiciário, embora algumas não se concorde, mas há um motivo para que elas tenham sido dadas, né... A gente respeita a decisão da justiça de liberá-los, mas o que não se pode esquecer é o seguinte: Eles são réus em ações penais. Isso, ação penal, resulta em uma sentença. E essa sentença pode ser absolutória ou condenatória. E sentença condenatória significa prisão. Então, apesar de eles estarem soltos, há uma sentença que pode vir por aí.

Douranews: Então, estão soltos, mas não quer dizer que estejam livres...

Galloni: Eles são réus numa ação penal.

Douranews: Ari Artuzi já disse publicamente que “o delegado vai ter que se explicar por causa da minha prisão”. Tem o que explicar?

Galloni: A Polícia, tudo que tinha para explicar, explicou no inquérito. E explicou tão bem que ele ficou denunciado. E ficou preso por 90 dias.