Na manhã de ontem, por volta de 9h30, o produtor rural brasileiro Ademir Rickly foi emboscado por cerca de 20 agricultores armados com facões, paus e coquetéis Molotov, que atacaram sua propriedade de forma selvagem. A fazenda de Ademir fica próximo à Cruce Kimex, na jurisdição de San Rafael del Paraná, Itapúa Norte.
O brasileiro não teria conseguido demonstrar a legitimidade de seus títulos de propriedade em uma ação judicial contra o Estado paraguaio, que durou 12 anos. Há dez dias ele vem tentando o cumprimento de uma ordem judicial de despejo, depois que um grupo de camponeses invadiram sua propriedade, argumentando que o seu título de propriedade não valia nada. Os supostos sem-terra foram localizados na faixa de domínio público da Ruta VI, na frente de sua propriedade.

Parte do grupo que atacou o brasileiro no Paraguai
Armadilha
Ontem, Ademir aproximou-se do limite da sua propriedade acompanhado por seu filho, Ademir Júnior e três peões, quando casualmente chegaram ao local seus advogados Marilene Sguarizi e Daniel Alarcón. Duas mulheres do acampamento pediram permissão para colher mandioca no local onde anteriormente estavam invasores. O fazendeiro concordou e estava supervisionando o trabalho, quando de repente apareceram cerca de 20 homens que o atacaram violentamente.
As mulheres haviam pedido para arrancar a mandioca alegando que seus filhos não tinham nada para comer, foram responsáveis por atirar os coquetéis Molotov que não explodiram. “Eles apareceram de repente, sem a gente perceber. Nós não tivemos tempo para correr, porque eles já estavam em cima da gente, nos agredindo com paus e facões. Dois deles estavam armados com pistolas", disse Ademir Rickly.
Ele acrescentou ainda que os homens "atiraram para matar o tratorista quando o pobre menino correu para a máquina. No meio do ataque, meu filho caiu, quando lhe bateram na cabeça. Eu estava correndo e voltei para protegê-lo porque ele seria morto. Então, eles me bateram duramente."
Ademir lembrou ainda que "foi um momento terrível, desesperador. Eu estava com medo de matarem meu filho, era tudo que eu pensava naquele momento. Eu não me importava de estar sangrando, eu só queria salvá-lo da selvageria dos criminosos que nos atacaram."
A polícia não levantou um dedo
Depois de fugir do local, Ademir procurou socorro com os policiais que fazem a guarda em Cruce Kimex. “A resposta que recebemos não podia ser pior: Que nós deveríamos apresentar uma queixa por escrito à polícia da colônia Naranjito e então obter um mandado para inspecionar o acampamento dos sem-terra, que estão na rua”.
Ainda segundo Ademir, os policiais sequer solicitaram documentos para verificar a identidade dos homens nas tendas improvisadas ao lado da estrada, onde os criminosos se refugiaram. O acampamento está localizado a 400 metros do posto policial.