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Munição usada para matar juíza era mesmo da Polícia Militar

23 de agosto 2011 - 22h12 Por Redação Douranews, com R7
Munição usada para matar juíza era mesmo da Polícia Militar
A munição utilizada para assassinar a juíza Patrícia Acioli, em Niterói, pertenciam a um lote de 10 mil balas comprado para dois batalhões da PM. A informação foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte que também investiga a possibilidade da munição ter sido desviada para outros batalhões.

Ele já havia admitido a participação de policiais no assassinato e com a descoberta dos novos fatos diz que o fato “nos dá a certeza de que houve a participação dos policiais militares, ainda que não na execução da juíza, mas no mínimo da preparação do crime ou alguma de suas fases”.

Mário Sérgio Duarte recebeu também, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) uma lista onde constam os nomes de 91 policiais militares que respondem a processos por homicídios na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana, onde atuava a juíza Patrícia.

A lista foi entregue pelo TJ-RJ na sexta-feira passada (19) para que seja levantada a situação atual de cada um dos réus. De acordo com a PM, os casos já começaram a ser analisados individualmente.

A assessoria da corporação informou ainda que as primeiras transferências devem começar em breve, mas não especificou uma data. Ainda segundo a PM, todas as armas que forem solicitadas pela Polícia Civil para perícia serão entregues.

50 autos de resistência

Dos 1.305 processos que constam na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, 50 casos envolvem autos de resistência (quando o policial mata alegando legítima defesa), segundo o juiz Fábio Uchoa, que substituiu a juíza Patrícia Acioli. Ainda de acordo com Uchoa, até o fim do ano serão julgados dois crimes envolvendo policiais e ex-policiais.

Conhecida por sua atuação rigorosa, a magistrada assassinada tinha um histórico de condenações contra policiais. Patrícia estava organizando uma força-tarefa para investigar crimes cometidos por policiais militares envolvidos com milícias em conjunto com a Corregedoria da PM e promotores do Ministério Público.

O presidente do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro), Manoel Alberto Rebelo, pediu a transferência dos policiais militares que são réus em processos da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Na quinta-feira (18), Rebelo disse que já tem a lista com os nomes dos PMs do Batalhão do 7º BPM que serão transferidos para outros batalhões no Estado.

Rebelo não informou quantos PMs serão remanejados e nem quando entregará a lista à Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Juíza tinha inimigos até na Polícia Civil

Documentos mostram ainda que a juíza tinha inimigos até mesmo dentro da Polícia Civil. De acordo com os documentos, Patrícia desmontou um esquema de corrupção que funcionava dentro de uma carceragem da Polinter de Neves, em São Gonçalo, e por isso estava sendo ameaçada. Uma cópia do documento foi enviada para a DH (Divisão de Homicídios).