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Investigação da PF mostra que ataque a índios tem sinais de genocídio

10 de setembro 2011 - 14h45 Por Redação Douranews, com MPF
Investigação da PF mostra que ataque a índios tem sinais de genocídio

No último dia 23 de agosto, por volta das 20 horas, indígenas guarani-kaiowá que estavam acampados às margens de uma estrada vicinal, no município de Iguatemi, foram atacados por homens armados. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o relato de um dos líderes do grupo diz que "estávamos rezando, de repente chegaram dois caminhões cheios de homens, chegaram atirando, ordenaram parar queimar barracas e roupas e amarrar todos índios. Saímos correndo, em direção diferente. A 300 metros do local vimos as barracas queimando e muito choro. Faroletes e lanternas estão focando pra lá e cá, as crianças e idosos não conseguiram correr. Os meus olhos enlagrimando (sic) escrevi este fato. Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil”.

O ataque deixou feridos - principalmente crianças e idosos, que não conseguiram correr e destruição. O acampamento, em área pública de uma estrada vicinal, foi totalmente queimado, assim como os pertences dos índios e o estoque de comida.

O Ministério Publico Federal em Dourados pediu abertura de inquérito na Polícia Federal em Naviraí para investigar o crime. Foram encontrados dezenas de cartuchos de munição calibre 12 anti-tumulto (balas “de borracha”) e há indício de formação de milícia armada. O MPF trata o caso como genocídio, já que foi cometida violência motivada por questões étnicas contra uma coletividade indígena.

O ataque é mais um capítulo da violência étnica em Mato Grosso do Sul, estado com a 2ª maior população indígena do país. Cerca de 70 mil índios de diversas etnias aguardam a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas por eles, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo MPF e a Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2007 e até hoje não cumprido. Clique aqui para conferir o TAC e aqui para saber mais sobre o tema.

A área reivindicada pelo grupo guarani-kaiowá é conhecida como Puelito Kue e já foi estudada pelos antropólogos da Funai. O relatório, cuja publicação é uma das fases da demarcação de terras indígenas, está em fase final de redação. Mesmo depois da violência do ataque, os indígenas retornaram ao mesmo acampamento, pois não têm para onde ir.

Houve dois outros eventos violentos envolvendo a comunidade. Em 14 de Setembro de 2003, um grupo tentou retornar à área. Dois dias depois homens armados invadiram o acampamento e expulsaram os indígenas com violência. Em 8 de dezembro de 2009, nova violência contra o grupo. Segundo depoimento prestado ao MPF, os índios foram amarrados, espancados e colocados num caminhão, sendo deixados em local distante do acampamento. O indígena Arcelino Oliveira Teixeira desapareceu sem deixar pistas. O corpo nunca foi encontrado.

Fotos

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Nas fotos, é possível ver as marcas do ataque ao acampamento indígena. Dezenas de cartuchos de munição calibre 12 anti-tumulto; barracos, pertences e alimentos queimados.

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Os mais atingidos pela violência foram idosos e crianças.

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Em vista da insegurança, os indígenas se valem de um meio precário para atravessar o rio que os separa do acampamento. São 50 metros entre as margens, dois metros de profundidade  e forte correnteza, vencidos por mulheres, idosos e crianças através de um fio de arame, já que na outra margem, sentem-se mais seguros contra ataques.