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Servidora do Fórum é presa por associação com tráfico de drogas

18 de novembro 2011 - 19h37 Por Redação Douranews, com Waldemar Gonçalves - Russo
Servidora do Fórum é presa por associação com tráfico de drogas

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) denunciou recentemente ao Poder Judiciário, um casal formado por uma servidora pública que prestava serviço no Fórum da Comarca de Dourados e o marido dela, por envolvimento com o tráfico de drogas.

O homem, identificado como Jéferson Vieira, o “Gordo”, encontra-se recolhido na Phac (Penitenciária “Harry Amorim Costa) enquanto a mulher dele, Lillian Kelly da Silva Pádua, está recolhida em uma das celas do 1ºDP (Distrito Policial).

Um terceiro envolvido, Itacir Coutinho Pilonetto, o “Tacir”, também estava associado, segundo o Gaeco, ao tráfico de drogas. Os três teriam movimentado dinheiro proveniente do tráfico de um quilo de bolas de haxixe e a mesma quantidade de cocaína.

As prisões do casal e do amigo ocorreram após um monitoramento feito pelo Gaeco por meio de escuta telefônica desde o início deste ano.

A servidora pública, que residia com o companheiro a poucos metros do 1º DP, em um prédio localizado na rua Cuiabá, no centro de Dourados, forneceu o próprio veículo de uso pessoal, um Fiat Pálio EDX, placas BUC-8099, de Dourados, que foi apreendido pela PM (Polícia Militar) de Amambai, na operação do Gaeco. O veículo da funcionária pública seria conduzido por uma pessoa de nome “Hudson”.

Lillian Kelly, ainda segundo as investigações feitas pelo Gaeco, fornecia a sua conta pessoal bancária para transações referentes às vendas dos entorpecentes, bem como dos pagamentos dos produtos adquiridos.

Já uma pessoa conhecida por “Doidão”, que receberia o carro de “Tacir”, ficaria com as drogas e enviaria outra carga enquanto outra pessoa, identificada por “Rodrigo”, seria encarregada de preparar o local para esconder os produtos trazidos a Dourados depois de adquiridos na cidade de Paranhos, divisa com o Paraguai.

Monitoramento

Durante a operação, a Polícia Militar de Amambai vinha realizando patrulhamento ostensivo na região, até que abordou um homem identificado como “Douglas” e, na vistoria ao veículo, os militares encontraram no interior do pneu estepe, os pacotes contendo a cocaína e o haxixe, conforme consta no IP (Inquérito Policial) 101/2011.

“Douglas”, ao ser questionado pela polícia sobre a procedência dos entorpecentes, respondeu que desconhecia a origem da droga, e afirmou apenas que pegou o veículo emprestado de Jéferson Vieira para ir até Paranhos, onde o entregaria na rua Furtuoso Silveira da Cunha, próximo a saída de Sete Quedas, para a pessoa de “Tacir”.

Ainda segundo o Gaeco, durante as investigações “Douglas” revelou que não tinha conhecimento de que estava levando a droga no estepe do carro, fato este constatado durante as escutas telefônicas entre Jéferson Vieira e “Doidão”.

Na versão de Jéferson Vieira, uma pessoa, segundo ele conhecida por “Luiz”, que seria proprietário de um VW/Gol, com placas de Minas Gerais, o teria procurado em seu estabelecimento comercial, a mercearia “Frutibem”, e lhe oferecido o valor de R$ 5 mil para que fizesse o transporte das drogas da cidade de Dourados para Paranhos.

Jéferson Vieira contou ainda em depoimento que o suposto “Luiz” havia preparado o veículo para o transporte das drogas e que desconhecia tal fato. Para o Gaeco, mesmo alegando desconhecer a presença das drogas no veículo, Jéferson não teria falado a verdade no depoimento, pois nas conversas interceptadas entre o “foca” e ele, constatou-se o contrário.

O casal

Lillian Kelly teria conhecido Jéferson Vieira, o “Gordo”, em janeiro do ano passado e se casaram em agosto do mesmo ano. As investigações do Gaeco denotam que a servidora pública se associou de forma não eventual a Jéferson Vieira e aos demais integrantes da quadrilha, “tendo em vista que ela tinha conhecimento das atividades ilícitas do marido, inclusive fornecia a sua conta corrente para a movimentação do dinheiro do tráfico, bem como para efetuar pagamentos aos fornecedores”.

Na representação ao Poder Judiciário, em que pede ao juiz de Direito da 1ª Vara Criminal de Dourados, Rubens Witzel Filho, a prisão de Lillian Kelly, o marido “Gordo” e os demais envolvidos, foram anexados extratos de transferências de contas correntes para uma pessoa identificada como Aldameire Vieira, que seria esposa de “Tacir” e extratos de transferências de dinheiro entre contas correntes, tendo como favorecida Rozana Coutinho Pilonetto, que também era ligada a “Tacir”.

No relatório das investigações do setor de inteligência do Gaeco, algumas conversas gravadas demonstram o conhecimento de Lillian Kelly sobre a prática do crime que cometia Jéferson Vieira e a sua adesão àquelas condutas, o que evidencia que ela era conivente com toda atividade de tráfico de drogas praticada pelo marido.

Gravações

Em uma das conversas gravadas pelo Gaeco, no dia 4 de março deste ano, Jéferson Vieira disse a uma pessoa identificada apenas por “Magrão” que deveria ir para o Paraguai, uma vez que quem levava droga para ele o havia delatado para a polícia. Na oportunidade ele disse que os policiais haviam ido atrás dele em sua residência e quando chegou em casa a esposa, Lillian Kelly, recomendou-lhe que fosse dormir em um hotel.

Na conversa gravada no dia 16 de março, o casal fala sobre a pessoa que levaria o carro até Paranhos, e sobre a droga que seria entregue naquela cidade. Na mesma gravação, Jéferson informava que iria até Minas Gerais para “resolver tudo” o que estava acontecendo.

No dia que “Douglas” foi preso com a carga dos entorpecentes, por várias vezes Jéferson Vieira e Lillian Kelly se comunicaram, mostrando preocupação com a droga que estava sendo levada para Paranhos.

Algum tempo depois Jéferson Vieira pede a esposa para que ela entrasse na internet, porque ele achava que “Douglas” havia sido preso, e isso seria por si só mais um indicativo de que ela sabia das atividades ilícitas do marido.

Numa das outras conversas, a escuta do Gaeco pode perceber a aflição de Lillian Kelly quando soube que “Douglas” havia sido preso transportando as drogas, uma vez que o veículo era de propriedade dela.

Os negociadores

Diante do aperto ao cerco, a mulher tentou por várias vezes manter contato com “Douglas”, porém outra pessoa atendia ao telefone. Na oportunidade Lillian Kelly chegou a dizer ao marido para que não se preocupasse, pois a pessoa que atendeu aos telefonemas dela não era da polícia, e o marido, em contrapartida, disse a ela que se realmente fosse a polícia a pessoa iria dizer que a “casa caiu”.

O Gaeco assegura, de posse desse monitoramento, que Jéferson Vieira há muito tempo vinha negociando com drogas, seja como comprador ou como fornecedor. No relatório endereçado ao Poder Judiciário consta que o contrabandista negociava as drogas com as pessoas identificadas como Anastácio Tavares da Silva, o “Zóio”; Ítalo Augusto Viana Canhete; um tal de Bruno, vulgo “Magrão”; Kauê Padilha Santiago de Souza; Claudinei Juvenal Honorato; um tal de “Fumaça” e outras pessoas que não foram oficialmente identificadas.

Consta ainda no relatório do Gaeco, que o casal Lillian/Jéferson, mais Itacir Coutinho Pilonetto, o “Tacir”, se associou de forma não eventual para a prática do crime de tráfico de drogas, além do tal “Doidão”, “Rodrigo” e a pessoa de Hudson Moreira da Silva, o “Foca”, e ainda um tal de “Paraguaio” e outros que mantinham a organização criminosa.

Preso, Jéferson Vieira confessou a autoria do crime, e com isso confirmou-se também o que o Gaeco havia investigado. Em relação à Lillian Kelly e Itacir Pilonetto, a autoria demonstra-se cristalina nos áudios colhidos a partir das interceptações telefônicas autorizadas judicialmente.

Diante dos fatos apurados, os promotores de Justiça solicitaram a instauração do processo na Comarca de Amambai. O Gaeco pediu a prisão preventiva de Lillian Kelly e a suspensão do exercício da função pública. Neste último pedido, o Gaeco entende que Lillian Kelly, por ser servidora pública, estaria se prevalecendo do exercício de suas funções para se articular com os demais membros da quadrilha, repassando informações privilegiadas sobre o andamento de processos/crimes e sobre a identidade de juízes e promotores ligados a tais processos, informações estas a que tem acesso na condição de servidora do Poder Judiciário.

A denúncia contra os acusados tramita nos autos de número 0004717-59.2011.8.12.0002 tendo como cabeça Jéferson Vieira e outros e o mandato de prisão em desfavor de Lillian Kelly foi expedido pelo juiz de Direito da 1ª Vara Criminal de Dourados, Rubens Witzel Filho.