O traficante Antônio Bomfim Lopes, o “Nem”, enviava drogas com regularidade para presos revenderem na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, a Bangu 4, no Rio de Janeiro, conforme levantamento feito pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) a partir da apreensão de duas cartas na Rocinha, uma das principais favelas do morro carioca. A cadeia de Bangu 4 passou a ser considerada como forte como entreposto da facção ADA (Amigos dos Amigos), comandada por Nem.
O criminoso, que chefiava o mercado da droga no rio, foi transferido ontem (19) para o presídio federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde ficará 20 dias em completo isolamento, inclusive sem banho de sol, juntamente com outros três traficantes, Flávio Melo dos Santos, “Carré” e Coelho, que foram transferidos com ele.
As cartas, escritas por homens do bando do traficante - presos no ano passado durante o ataque ao Hotel Intercontinental, em São Conrado - foram encontradas pelos policiais na casa de Johny Wallace da Silva Viana, o “Xexéo”, administrador dos negócios de Nem.
Um comboio com dez carros, com apoio de 40 homens do Serviço de Operações Especiais da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária acompanhou os criminosos. O pedido de transferência foi feito pelo Tribunal de Justiça do Rio e autorizado pela Justiça Federal. O transporte foi feito em um avião da Polícia Federal.
Porta-malas
Nem foi preso na madrugada do último dia 10, quando era levado no porta-malas de um carro de luxo. Policiais militares desconfiaram do veículo e o abordaram. Um dos ocupantes se identificou como cônsul honorário do Congo e se negou a permitir a vistoria. Os policiais então decidiram conduzir o veículo para a sede da polícia. Os ocupantes acabaram desistindo de evitar a vistoria e Nem foi descoberto no porta-malas do carro.