O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Edgar Paulo Marcon, visita hoje (22) a região onde o índio guarani-kaiowá Nísio Gomes está desaparecido desde sexta-feira (18), quando, segundo a comunidade onde ele vivia, em um acampamento, mais de 40 pistoleiros atacaram o local.
Marcon está em Ponta Porã, onde deve se reunir com o procurador da República Thiago dos Santos Luz, responsável pelo caso no MPF (Ministério Público Federal). O superintendente da PF também poderá ir à área onde houve o ataque. A investigação que começou a ser feita por policiais de Ponta Porã, foi concentrada em Campo Grande, na delegacia de Defesa Institucional, que cuida de casos envolvendo populações indígenas.
O chefe da unidade, Alcídio de Souza, já está na região desde o fim de semana, após o ataque vir a público. De acordo com o Campograndenews, a Polícia recomendou ao filho de Nísio, Valmir Gomes, que não se manifeste mais sobre o caso. Ele já foi ouvido e relatou que o ataque a pistoleiros seria em razão da disputa de terras. Eles dizem que os homens contratados por fazendeiros atiraram em Nísio e levaram o corpo dele na caçamba de uma caminhonete. Também afirmam que uma mulher e dois adolescentes estão desaparecidos.
Ontem, o presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, Osvin Mittanck, afirmou que um dia antes, o dono da área onde os índios estão haviam entrado na Justiça pedindo a desocupação da terra, que está em estudo para ser demarcada como aldeia. Eles estão no lugar há 10 dias e vinham relatando ameaças anteriormente.
A PF e o MPF investigam o caso. O acampamento, que começou com cerca de 60 índios, aumentou para em torno de 150 após o episódio de sexta-feira.