A vendedora ambulante de 60 anos, suspeita de tentativa de homicídio, disse que a única intenção era dar um susto na síndica do prédio em que mora, em Campo Grande. A briga aconteceu durante reunião de condomínio na quarta-feira (18), quando a idosa, armada, foi em direção a vítima, de 66 anos. A suspeita foi presa na noite de quinta-feira (19), dentro de casa.
“Eu estava surtada, já havia passado noites e noites sem dormir”, justificou a vendedora. “Ela me humilhava, me ameaçava e estava atrapalhando meu trabalho”, contou nesta sexta (20), em entrevista feita na delegacia da Polícia Civil em Campo Grande.
Segundo o delegado Fábio Anderson Ribeiro Sampaio, a vendedora relatou em depoimento que tinha uma rixa há 10 anos com a síndica.
A suspeita mora há 28 anos no prédio localizado na avenida Mato Grosso, região central de Campo Grande. Ela diz que vende cachorro-quente, em uma barraquinha instalada ao lado do muro da edificação. Com o antigo síndico, ela mantinha um contrato de aluguel, por usar a área de propriedade do condomínio.
Depois que a síndica assumiu a função, há 12 anos, a suspeita já estava com aluguel em atraso há algum tempo. Segundo a vendedora, houve acordo de que ela não precisava pagar a conta, mas a síndica teria entrado com ação cobrando os atrasados.
A vendedora diz que a dívida, em valores atualizados, é de R$ 65 mil. O delegado explicou que a Justiça chegou a determinar o bloqueio da conta da suspeita.
A vendedora alega que a relação das duas piorou e diz que a síndica a cobrava sempre. No dia da reunião, a suspeita compareceu ao encontro com a arma dentro de bolsa de pano.
Na reunião, segundo a vendedora, as duas ficaram se provocando durante todo o tempo, até que a vítima teria mandado a suspeita calar a boca. A mulher diz que a intenção dela, quando pegou a arma, era atirar para cima. “Eu não fui para matar a síndica, eu não queria matar ela, eu só queria dar um susto nela, porque eu queria que ela me respeitasse”.
Testemunhas disseram que a suspeita teria apontado a arma em direção ao pescoço da vítima, versão desmentida pela suspeita.
Segundo relato das testemunhas à polícia, a vendedora apertou o gatilho várias vezes, mas a síndica colocou a mão na arma. O delegado acredita que o tambor pode ter sido travado com este gesto, o que impediu o disparo dos tiros.
Fábio Sampaio diz que a vendedora será indiciada por tentativa de homicídio e porte de arma ilegal. O revólver, calibre 32, e coldre foram apreendidos pela polícia.