Há exatos 14 anos, no dia 23 de junho, o agente da Polícia Federal de Dourados, Marcos Antônio Soares Assunção, o “Rambo”, foi assassinado a tiros na periferia da cidade. O crime aconteceu em um bosque que existia na época na rua Dezidério Felipe de Oliveira, na entrada do bairro Novo Horizonte, conhecido como “Matinha”.

"Rambo", morto em emboscada
“Rambo”, como era mais conhecido nos meios policiais bem como para os que conviviam na época no submundo do crime, em especial o contrabando e o tráfico de drogas, foi atingido por cinco tiros e morreu instantaneamente no local.
O crime aconteceu por volta das 13h15 e, na época, a Polícia Federal presumiu que o agente federal teria sido atraído para uma emboscada armada por dois de seus “informantes”.
Ao ser assassinado, “Rambo” caiu ao lado de um veículo do tipo Saveiro descaracterizado, que havia usado para chegar até o local da execução. Na cintura dele, uma pistola Lock 9 milímetros de fabricação australiana e no tornozelo, um revólver Rossi 38 cano curto. No interior do veículo, um fuzil Sturn Rugger calibre 5,56 milímetros.
Mesmo com este arsenal, o agente federal não teve tempo para reagir. O federal tinha 35 anos, era casado e pai de um filho de pouco mais de dois anos.
O personagem
No mesmo dia do crime, a Policia Federal prendeu em flagrante o então estudante de Direito Kleber Rocha Pinto, na época com 34 anos, suspeito de ter ligações com o crime depois que pistas dadas por testemunhas levaram os policiais até ele.
De acordo com informações, Kleber era “informante” de “Rambo” e ao ser interrogado acabou entregando o “comparsa” e autor dos tiros que mataram o agente federal, Jaime Favaro, o “Jaiminho” ou “Gauchinho”, muito conhecido na região do Jardim Flórida e apontado como responsável por vários assassinatos na cidade.
Conforme consta no inquérito policial, “Rambo”, no dia do crime, recebeu um telefonema anônimo onde a pessoa dizia que havia um ponto de drogas na rua Dezidério Felipe de Oliveira e ao checar a informação, sozinho, acabou sendo atraído para a morte.
A caçada
Com a morte de “Rambo” e a prisão de Kleber, um grupo de cerca de 45 agentes federais iniciou uma verdadeira “caçada” para capturar Jaime Favaro, o “Gauchinho”, que, após matar o agente federal, buscou abrigo na casa de uma irmã na cidade de Laguna Carapã, mas ela se recusou em acolher o matador.
Após pegar um cobertor e certa quantidade de alimentos, o pistoleiro se embrenhou numa mata fechada onde foi cercado pelos agentes federais. Cansado, com fome e frio, “Gauchinho” teria reagido à prisão e foi morto três dias depois da “emboscada” ao agente federal, com mais de 20 tiros de pistolas e escopetas calibres 12 e fuzil, conforme atestou o inquérito policial.
Na caçada ao assassino do agente federal, uma mega-operação foi montada para, segundo a Polícia Federal “fazer justiça”. Inclusive, a instituição serviu-se até de avião que sobrevoou a mata para tentar localizar “Gauchinho” que era criminoso e que foi acusado na época de participar de outras execuções na cidade.