Os escrivães e papiloscopistas da PF (Polícia Federal) paralisaram as atividades por tempo indeterminado a partir desta terça-feira (7). Os policiais entregaram armas, algemas e distintivos em uma solenidade realizada nesta manhã em frente à sede PF. Logo em seguida assinaram o termo de presença e cada um dos cerca de 40 servidores de Dourados tomaram posse de um nariz de palhaço em protesto ao que, segundo a categoria, consideram descaso do Governo em relação às reivindicações. Na sexta-feira (10) os adeptos se reúnem para decidir o futuro da greve.
Os agentes vão parar as investigações dando prioridade apenas aos casos de urgência. O objetivo é, através da greve legal, exigir uma equiparação salarial equivalente a colegas de outras categorias. De acordo com o agente e representante do Sindicato da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, Carlos Silva, as duas categorias que param os serviços a partir de hoje são reconhecidas como atividades de nível superior, porém, os salários que são pagos não condizem com os cargos ocupados por eles.
“Nossos salários são de nível médio, mas desde os anos 90 já somos reconhecidos como nível superior. Mesmo assim, ganhamos metade do que outros agentes de nível superior na Polícia Federal, ou mesmo em outras instâncias”, explica Carlos Silva que lembra ainda que há dois anos a PF tenta negociar com o governo, mas o que houve nesse período, segundo ele, foram adiamentos de reuniões e um descaso com o serviço classificado pelo agente como “essencial para a sociedade”.
Ainda de acordo com o representante do sindicato em Dourados, todos os trabalhadores aderiram à greve, mas como é regulamentado por lei, eles são obrigados a deixar, pelo menos, 30 % do quadro efetivo trabalhando. Carlos lembra também que os salários dos policiais federais não são reajustados desde 2006. “O Policial Federal tem que ser valorizado para poder trabalhar com tranquilidade”, completa.
Outra queixa do policial é referente às afirmações do Governo federal sobre uma maior valorização de policiais que trabalhar perto da linha de fronteira. “Até hoje não consegui enxergar nenhum benefício em relação a isso. Policiais não são valorizados por trabalharem em região de fronteira”, reclama.

O representante do Sindicato dos PF/MS, Carlos Silva, foi o primeiro...

... a entregar a arma e distintivo (Foto: Wender Carbonari/Douranews)