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Delegada diz que objetivo dos assaltantes era matar estudantes

03 de setembro 2012 - 17h44 Por Redação Douranews
Delegada diz que objetivo dos assaltantes era matar estudantes

Breno Luigi Silvestrini Araújo, de 18 anos, e o amigo dle Leonardo Batista Fernandes, de 19 anos, foram mortos cerca de 30 minutos depois de serem rendidos próximo a um bar em Campo Grande na quinta-feira (30), de acordo com a titular da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), Maria de Lourdes Cano. Dos cinco detidos pela participação no crime, quatro foram apresentados hoje (3) e comentaram o crime.

Estão presos Rafael da Costa da Silva, de 22 anos; Dayani Aguirre Clarindo (esposa de Rafael), de 24 anos; Weverson Gonçalves Feitosa, de 22 anos, e Raul de Andrade Pinto (primo de Rafael), de 18 anos. Um adolescente de 17 anos, irmão de Rafael, também está apreendido.

“O objetivo deles era matar”, disse a delegada, explicando que no carro usado pelos suspeitos, não foram encontradas cordas ou qualquer outro objeto que pudesse indicar que os jovens seriam rendidos em cativeiro.

O plano era roubar uma caminhonete e levar para Corumbá, conforme teria sido combinado com contrabandistas do lado fronteiriço com a Bolívia. Em depoimento, os suspeitos afirmam que veículo tinha sido encomendado por uma pessoa ligada ao tráfico na região, que ainda está sendo procurada.

Na noite de quinta-feira, conforme apurou a polícia, os quatro membros da quadrilha estavam em um carro de passeio próximo a um bar no bairro Miguel Couto. No local, de acordo com a delegada da Defurv, eles selecionaram dois veículos e esperaram um dos proprietários sair do estabelecimento para roubar. Por volta das 20h30, Leonardo e Breno saíram do bar e foram rendidos assim que o alarme do carro foi desligado.

A delegada contou que Weverson Feitosa assumiu a direção do veículo e Leonardo foi obrigado a se abaixar no banco do passageiro. No banco de trás, Breno era rendido por Rafael da Silva. Dayani e o adolescente ficaram no outro carro e seguiram o grupo até o macroanel rodoviário de Campo Grande, entre as saídas para Aquidauana e Rochedo.

O grupo foi até uma tubulação que passa por baixo da rodovia e os jovens foram obrigados a ajoelhar. De acordo com Maria de Lourdes, Breno foi o primeiro a morrer, atingido com um tiro na cabeça. Pela posição do corpo, segundo a delegada, Leonardo teria se abaixado; o tiro entrou na nuca e atravessou a cabeça.

Por volta da meia-noite de sexta-feira (31), a família de Leonardo Fernandes foi avisada pela Polícia Militar de que um carro havia sido encontrado em Corumbá. A Polícia Civil entrou no caso, que começou a ser investigado como sequestro.

Dayani foi a primeira a ser presa, quando viajava de carona em um caminhão, em Miranda. A equipe da PRF (Polícia Rodoviária Federal), já avisada sobre o caso, desconfiou da mulher por estar viajando com roupas sujas de terra.

Maria de Lourdes disse que, inicialmente, Dayani contou várias versões até confessar participação no crime, mas dizia que os jovens tinham sido mortos por Feitosa.

Ainda na sexta-feira, Silva foi preso em uma matagal no município de Corumbá e Feitosa foi detido na casa dele em Aquidauana. Pinto e o adolescente foram capturados em Campo Grande.

Dinheiro “fácil”

Segundo Maria de Lourdes, essa é uma quadrilha isolada e diferenciada e os membros foram movidos a participar da ação criminosa pelo “dinheiro fácil”. Rafael e Weverson estudavam radiologia juntos e se conheciam há um ano e meio.

Rafael da Silva foi quem fez os disparos e ajudou a agredir os jovens antes da morte. Ele admitiu o crime e afirmou que está arrependido. “Foi para eles ficarem quietos, porque não tinha ninguém para ficar segurando eles”, afirmou.

Weverson Feitosa ajudou Rafael nas agressões. “A gente estava com medo deles 'dedarem' a gente. Hoje me ponho no lugar deles, fizemos sem pensar”, disse, relatando ainda que “tinha muita ganância por dinheiro”.

Mantendo a mesma versão que relatou à polícia, Dayani afirma que não sabia que as vítimas seriam executadas. “Achei que só iam roubar o carro. Eles falaram que iam entregar os jovens para uma pessoa, desceram do carro e falaram para eu não olhar para trás. Depois, só ouvi os disparos”, contou a jovem.

Raul foi identificado pela polícia como a pessoa que dava cobertura financeira para a quadrilha. Na casa dele que foram queimados os documentos dos jovens. “Emprestei R$ 50 porque eles estavam precisando de combustível”, disse o rapaz ao ser preso.

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos foram indiciados por latrocínio, sequestro, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. Ainda de acordo com a polícia, Rafael e Weverson são suspeitos de envolvimento na morte do piloto de avião Marco Antônio Leão Ramos, de 40 anos, no dia 2 de agosto em Anastácio. Rafael também teria sido o autor dos disparos neste caso. Com informações do G1.