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PMs recebiam R$ 5 mil de propina em rede de tráfico com MS

04 de dezembro 2012 - 17h51 Por Redação Douranews
PMs recebiam R$ 5 mil de propina em rede de tráfico com MS

Os policiais militares que foram presos em uma operação nesta terça-feira (4) em Duque de Caxias (RJ) recebiam, de acordo com a investigação, cerca de R$ 5 mil a cada plantão para não coibir atividades criminosas na favela Vai Quem Quer, no mesmo município.

Além de 60 PMs, 11 traficantes foram detidos pela força-tarefa formada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança Pública, pela Polícia Federal, a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Até o meio da tarde, cinco policiais e sete traficantes ainda não haviam sido capturados. A operação continuaria até o fim do dia, segundo reportagem do Terra.

A operação, que mobilizou cerca de mil agentes, é resultado de um ano de investigações conjuntas e cumpre 83 mandados de prisão [65 contra policiais militares, de nove batalhões] e outros 18 mandados contra civis. Entre os traficantes detidos, cinco já estavam presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

O Gaeco denunciou os acusados pelos crimes de formação de quadrilha armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão mediante sequestro. Também estão sendo cumpridos 112 mandados de busca e apreensão na casa dos denunciados e em batalhões da PM.

A ação levou à destituição do comandante do 15º BPM, tenente coronel Cláudio Lucas Lima, e todo o seu estafe. Ao todo o batalhão conta com 600 policiais.

O esquema

De acordo com a investigação, conforme publica o Terra, quando a propina não era paga em dia, os PMs sequestravam bandidos e seus familiares, apreendiam veículos do tráfico exigindo dinheiro para devolução e realizavam operações oficiais na favela. De acordo com investigações, os policiais militares não tinham um comando único e dividiam-se em 11 células autônomas.

No núcleo do tráfico, Carlos Braz Vitor da Silva, o Paizão ou Fiote, é considerado o chefe do Comando Vermelho nas favelas de Duque de Caxias e, de acordo com investigações, mesmo preso na Penitenciária Vicente Piragibe, no Complexo de Bangu, mantém frequentes contatos telefônicos com seus subordinados e continua dando ordens e recebendo informações detalhadas sobre a rotina do tráfico nas favelas, decidindo inclusive sobre os valores a serem pagos aos policiais.

A denúncia relata que um dos seus homens de confiança é Willian da Silva, conhecido como Cabeça, elemento de ligação entre a quadrilha e os policiais militares da região, sendo o responsável pelo pagamento das propinas e também da negociação do resgate de homens do bando sequestrados por policiais, assim como a liberação dos carros apreendidos ilegalmente.

A quadrilha de Fiote, além de manter parceria com o tráfico de drogas no Complexo do Lins, Parque União e Favela Nova Holanda, que também estão sendo alvo da Operação Purificação, estendeu seus domínios para fora do Estado do Rio, estabelecendo relações com traficantes de Mato Grosso do Sul, de onde partia a droga vendida nas favelas de Duque de Caxias.