“Tô chegando aí na ponte”. “Me espera com a mercadoria aí na ponte”. “Vamos pegá-lo lá na ponte”. Esses recados, na maioria das vezes em código, sinalizam o grau de proliferação dos pontos de droga e o agendamento de encontros, inclusive para acerto de contas, entre traficantes, envolvendo devedores de transações apressadas e que, satisfeitas as necessidades alucinógenas imediatas, se esquecem de honrar os compromissos.
A morte do adolescente Alisson de Oliveira dos Santos, de 16 anos, na noite de ontem (14), é mais uma consequência desse mercado fácil e perigoso que está se estabelecendo na área da Vila Cachoeirinha. Afinal, que outros motivos teria o garoto, residente no bairro Estrela Porã, para estar, nesse horário, nas imediações da ponte? Um único tiro, que o atingiu na cabeça, aparentemente serviu para ‘quitar’ a conta.
Moradores das imediações da nova ponte da Cachoeirinha afirmaram ao Douranews que, até bem pouco tempo, as ruas daquela área eram as mais calmas da vila. “Agora, a gente vê que o movimento dobrou, tem carrão vindo da cidade toda hora pra cá, na madrugada, então, isso aqui vira um movimento louco”, contou uma moradora, que reside no local há mais de 20 anos. “Acabou o nosso sossego”.
O pior de tudo, segundo a mulher, é que os homens do tráfico estão se utilizando de crianças e adolescentes para esse ‘negócio’. Os menores são transformados em ‘pequenas mulas’, ou seja, agentes transportadores das encomendas de cocaína e maconha “que os bacanas vem só buscar”. “Mascote” e “Finado”, os dois supostos autores do crime que matou Alisson, seriam, inclusive, bastante conhecidos da polícia. “Se fizerem um arrastão por aqui, levam muita gente”, apelou a moradora do bairro.