Mais de 20 anos após as mortes de 111 presos da Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, começa segunda-feira (8), no Fórum Criminal da Barra Funda (zona oeste da capital paulista), o julgamento de 28 policiais militares denunciados por participação nos homicídios, ocorridos em 2 de outubro de 1992.
"Antes tarde do que nunca. Houve uma demora excessiva? Sim. Só que temos que julgar. A sociedade precisa ter uma resposta para o que aconteceu no dia 2 de outubro de 1992", disse ao Terra o juiz José Augusto Nardy Marzagão, da Vara do Júri de Santana, responsável pelo julgamento.
Devido ao grande número de réus [84 PMs foram acusados de assassinato], a Justiça decidiu realizar os julgamentos em blocos, divididos inicialmente de acordo com as mortes registradas em cada um dos quatro pavimentos do pavilhão 9, cenário da tragédia. Neste primeiro júri, respondem os policiais que atuavam no 1º Batalhão de Policiamento de Choque e que seriam responsáveis por 15 mortes no primeiro andar. Porém, ao menos dois dos 28 réus morreram desde a época dos crimes, segundo a advogada Ieda Ribeiro de Souza, responsável pela defesa.