A interdição da Unei (Unidade Educacional de Internação) “Laranja Doce”, em Dourados, não modificou a rotina de trabalho da DAI (Delegacia de Atendimento à Infância) no Município. A orientação do delegado José Jorge Cury é para que os casos continuem sendo tratados da mesma forma. “É o juiz quem tem que designar para onde eles [os menores infratores] vão, se não pode mais colocar gente na Unei”, disse uma fonte da Polícia ao Douranews.
Para os agentes da DAI, a onda de crimes nessa faixa etária obedece a um ciclo. Enquanto os considerados ‘líderes’ da onda de assaltos, tráfico de drogas, tentativas de homicídios e assassinatos estão recolhidos, “aqui fora a situação permanece calma”. Há casos de menores envolvidos em ações delituosas juntamente com adultos, mas que não se constituem em ameaça à tranquilidade. São infrações casuais, que não remetem à organização criminosa.
“No limite”
Enquanto isso, o superintendente de Ações Socieducativas da Sejusp (Secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública), Rubens Grandini, afirma que a Unidade de Dourados vai se manter ‘no limite’ até que seja construída a nova sede, ainda dependendo de aprovação do projeto junto à Secretaria nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República e da liberação da área por parte da Prefeitura de Dourados para o Estado.
A interdição, decretada por ato do juiz Zaloar Murat Martins de Sousa, da Vara da Infância e Juventude, acaba sendo positiva, segundo o superintendente. “Ao mesmo tempo em que vamos procurar manter o limite da capacidade [a Unei foi construída para atender 45 menores e hoje abriga 58 internos, segundo ele], estamos cuidando de acelerar o projeto da nova Unidade”, informou Grandini. A proposta é de construir um novo local, com capacidade para atender até 90 menores infratores.
Reabilitação
Na sessão desta quinta-feira (31) da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Lauro Davi (PROS) utilizou a tribuna para falar sobre a interdição da Unei “Laranja Doce”. Segundo ele, apesar de tardia, a medida poderá contribuir com a situação dos jovens, hoje submetidos a alguns problemas como a superlotação.
Na opinião do deputado, “muitos dos internos que estão ocupando vagas e até causando a superlotação dentro das Uneis, deveriam estar na verdade passando por um programa eficiente de reabilitação contra a dependência química”.
Para Lauro Davi, entretanto, com a interdição da Unei em Dourados, o problema com menores infratores vai continuar, e a tendência é que cresça ainda mais, porque a onda de criminalidade envolvendo jovens não cessa com essa medida. “O que nos preocupa é que, com a Unei não recebendo mais ninguém, venha a prosperar a certeza de impunidade e o aumento do crime”, disse o deputado Lauro Davi.
“É preciso que o Estado elabore um programa de reabilitação para que esses jovens e menores infratores possam viver em sociedade de forma digna novamente”, cobrou o deputado.