Outro delegado de Ponta Porã, João Francisco Silgueiros, titular da Delegacia Regional da cidade, chamou atenção para o fato da “guerra declarada” em relação as execuções. “Existe uma guerra declarada. Isso voltará a acontecer normalmente”, pontuou. João é cauteloso ao comentar a relação das execuções com o tráfico de drogas, pois acredita que as condições das últimas mortes devem ser investigadas antes de se fazer uma afirmação.
Mesmo assim, o delegado também lembra que a maior parte dos homicídios ocorre do outro lado da fronteira. “Se você analisar friamente os números de Ponta Porã em relação a ano de 2013 e 2014, você percebe que foi relativamente baixo o número de mortes”, disse.
“Muitas dessas mortes acontecem no Paraguai. Eles são feridos lá e são trazidos para o Brasil para tratamento médico, aí acabam morrendo aqui e a polícia tem que fazer boletim de ocorrência”, comentou.
Cinco execuções
Cinco execuções foram registradas na fronteira pelas polícias brasileira e paraguaia nos últimos 15 dias. A mais recente delas aconteceu quarta-feira (26) passada, na rua Soilo de Freitas, no bairro Parque de Exposições, em Ponta Porã. Um mecânico identificado como Cleverson foi alvejado a tiros enquanto trabalhava. Dois suspeitos fugiram de moto para o país vizinho.
Na segunda-feira (24), do lado paraguaio da fronteira, o brasileiro José Bento da Silva, de 34 anos, foi morto também em uma da borracharia, em Pedro Juan Caballero. A vítima, que era filha de um policial, também foi morta por dois homens em uma moto.
Já no dia 18 de fevereiro, o comerciante Peterson Velilha, de 30 anos, foi fuzilado em frente à escola Mappe (Moderna Associação Pontaporanense de Ensino), na rua Antônio João, no centro de Ponta Porã, quando buscava o filho. Pelo menos 15 tiros atingiram a vítima.
No dia 14 de fevereiro, os ex-policiais militares Jorge Luís Ayala, de 47 anos, e Edson Borda da Silva, de 50, foram assassinados em Pedro Juan Caballero. A polícia suspeita de acerto de contas, segundo a reportagem do jornal Campograndenews.