O ex-coronel do Exército Paulo Malhães foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira (25) dentro da casa dele, em um sítio do bairro Marapicu, na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O militar da reserva teve atuação de destaque na repressão política durante a ditadura militar. No mês passado, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, ele assumiu ter participado de torturas, mortes e desaparecimentos de presos políticos, entre eles o ex-deputado Rubens Paiva.
Segundo investigadores da DHBF (Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense), que realizaram a perícia no local, três homens invadiram a residência de Paulo Malhães na tarde de quinta-feira (24) e ele teria ficado em poder dos bandidos de 13 às 22 horas, segundo o relato de testemunhas, entre elas a viúva do ex-coronel, Cristina Batista Malhães, em reportagem do jornal O Globo.
“Eu fiquei amarrada e trancada no quarto, enquanto os bandidos reviravam a casa toda em busca de armas e munição. Não era segredo que ele era colecionador de armas”, disse Cristina, enquanto era conduzida para prestar depoimento. O caseiro também foi conduzido para a delegacia depois de também ter ficado trancado em outro cômodo da casa, amarrado.
Segundo o delegado Fábio Salvadoretti, da DHBF, não havia marcas de tiros no corpo de Paulo Malhães, apenas sinais de asfixia. “A princípio, ele foi morto por asfixia. O corpo estava deitado no chão do quarto, de bruços, com o rosto prensado a um travesseiro. Ao que tudo indica ele foi morto com a obstrução das vias aéreas”, opinou o delegado.