Com um esquema de cobrança de propinas na Zona Oeste, a quadrilha supostamente comandada pelo coronel Alexandre Fontenelle de Oliveira, oficial formado pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) e que integrava a cúpula da PM (Polícia Militar), faturou cerca de R$ 10 milhões nos últimos três anos. A estimativa foi feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP (Ministério Público) estadual a partir de extratos e comprovantes de depósitos bancários apreendidos nas casas dos 24 PMs suspeitos de envolvimento com o crime organizado. Os acusados, incluindo ainda três majores e dois capitães, foram presos na segunda (15) e na terça-feira (16), durante a operação “Amigos S.A.”, desencadeada pelo Gaeco e pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança, no Rio de Janeiro.
O Ministério Público estadual, que já pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal do grupo, também vai solicitar à Justiça autorização para investigar as movimentações financeiras feitas por parentes dos policiais presos. Há a suspeita de que boa parte da fortuna arrecadada no esquema de cobrança de propinas tenha sido usada na aquisição de imóveis e veículos em nome de familiares dos PMs. Promotores que acompanham o caso esperam mensurar com o máximo de precisão os ganhos obtidos pela quadrilha para solicitar o bloqueio de bens e contas bancárias. Para cumprir esse objetivo, o Gaeco vai contar com o apoio de técnicos do MP especializados em investigações de lavagem de dinheiro.
A suspeita é de que bens em nome de parentes foram comprados com dinheiro obtido a partir do recebimento de propinas. A hipótese ganhou força na terça-feira, um dia depois de agentes do Gaeco e da Polícia Civil terem cumprido mandados de busca e apreensão nas casas dos acusados. Analisando a documentação recolhida, eles descobriram grande quantidade de comprovantes de transferências financeiras para pessoas das famílias dos PMs. No apartamento do coronel Fontenelle, foram encontradas cópias de depósitos de R$ 2 milhões feitos por ele na conta-corrente de um tio, que é oficial da reserva do Exército, segundo reportagem do jornal O Globo.