Uma mulher acusada de bruxaria foi torturada e morta, no Paraguai, informaram os jornais paraguaio ABC Color e o inglês Daily Mail. A índia Adolfina Ocampos, de 45 anos, foi morta pelos membros do grupo étnico Mbya Guarani depois de ter sido condenada à morte pelo líder da comunidade, segundo repercutiu o portal Terra.
O crime aconteceu na aldeia de Tahehyi, há 290 quilômetros ao norte da capital Assunção. Os líderes indígenas Bernardo Benítez e Francisco Garcete admitiram que torturaram a mulher na semana passada e que no sábado (1), a levaram a um córrego, onde foi afogada, e em seguida, queimada.
Fany Aguilera, a promotora local, considerou dez pessoas do vilarejo que admitiram ter matado a vítima culpadas pelo crime de homicídio.
Bernardo Benitez acusou Adolfina de bruxaria depois que uma irmã dele, Sergia, ficou doente, há um ano. Como o estado de saúde da mulher não melhorou, Adolfina Ocampos foi trazida de Assunção para que dentro de um mês "removesse a magia". Como isso não aconteceu, a vítima foi torturada e assassinada pelo grupo.
A Agência de Refugiados da ONU estima que milhares de pessoas em todo o mundo sejam acusadas de bruxaria todos os anos. Elas são, geralmente, abusadas, retiradas de suas famílias e comunidades, e em alguns casos, assassinadas. Ainda assim, Jose Zanardini, um padre e antropólogo italiano, conta que o caso registrado no Paraguai é incomum.
"Eu trabalho no Paraguai há 40 anos e não me lembro de um episódio semelhante, de execução por feitiçaria. A morte dessa mulher é isolada e fora do comum no que diz respeito à coexistência dos 20 diferentes grupos indígenas paraguaios. Em geral, os indíos costumam ser tranquilos e tolerantes", disse.
A agência estatal de proteção aos povos indígenas comunicou nesta quarta-feira (5) que, "embora as comunidades indígenas sejam regidas pelo sistema normativo que se fundamenta em seus costumes, seus atos não podem violar os direitos constitucionais de respeitar a vida e a liberdade das pessoas".
A agência estatal de proteção aos povos indígenas comunicou na última quarta-feira que "embora as comunidades indígenas sejam regidas pelo sistema normativo que se fundamenta em seus costumes, seus atos não podem violar os direitos constitucionais de respeitar a vida e a liberdade das pessoas".