A PF (Polícia Federal) prendeu em um apartamento na Gleba Palhano, na Zona Sul de Londrina, o suspeito de chefiar uma quadrilha internacional de tráfico de drogas. Uma mulher de 23 anos, apontada pela polícia como amante dele, também foi presa em um apartamento na rua Piauí, no centro da cidade. Os dois, que não tiveram os nomes revelados pela PF, estão entre os 12 presos pela Operação Denarius, que desmontou uma quadrilha de tráfico de drogas que tinha base em Umuarama (ao noroeste do estado do Paraná) e agia em outros seis Estados.
De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa trazia cocaína do Peru e da Bolívia e enviava para a Europa em contêineres que partiam de Porto Velho/RO. A droga era escondida em madeiras destinadas à construção de casas pré-fabricadas. Segundo o delegado da Polícia Federal em Guaíra, Vinícius Faria, seis pessoas foram presas no Paraná. Além do casal que estava em Londrina, outros quatro integrantes da quadrilha foram presos em Umuarama. As outras prisões foram efetuadas em Amambaí (no Mato Grosso do Sul), Alta Floresta (em Mato Grosso), Rio Acima (em Minas), Ariquemes (de Rondônia) e São Paulo. Outras 16 pessoas foram ouvidas e liberadas.
Com o chefe da quadrilha, a polícia apreendeu dois carros de luxo e um helicóptero que estava no aeroporto 14 Bis, no Distrito da Warta, na Zona Norte de Londrina. O helicóptero e um avião apreendido em Umuarama foram levados para o Aeroporto José Richa, em Londrina, de onde seguiriam para Curitiba. Outro avião foi apreendido em Rondônia. Além das aeronaves, a operação apreendeu 37 veículos e dois barcos, e a Justiça Federal determinou o bloqueio de vários bens: sete fazendas, quatro sítios, cinco apartamentos, nove casas, dois prédios comerciais e 16 terrenos urbanos. Os bens foram avaliados em cerca de R$ 60 milhões.
Faria informou que os líderes da quadrilha recebiam o pagamento pela droga em euros, que eram convertidos para reais em redes de câmbio ilegais de São Paulo e Umuarama. De acordo com o delegado da PF em Londrina, Elvis Secco, a droga não passava pela região. "Em Londrina era feita apenas a lavagem do dinheiro. Aqui ele aproveitava a vida, mantinha um padrão de vida suntuoso. A companheira ajudava a fazer essa lavagem, com imóveis e veículos no nome dela", detalhou.
O líder da quadrilha se identificava como pecuarista. Um rebanho de 3,5 mil cabeças de gado foi apreendido em fazendas nas cidades de Maria Helena (a oeste do Paraná), Mato Grosso e Rondônia, conforme publica o jornal Folha de Londrina.