Disputas políticas internas na PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) estariam motivando troca de acusações entre membros da corporação e 'expondo' denúncias e suspeitas sobre a conduta dos servidores. Os casos suscitam suposto envolvimento de 'homens da lei' com o crime organizado e ficariam, normalmente, restritos internamente, de acordo com análise de servidores do meio policial.
Reportagem do jornal Midiamax nesta terça-feira (9) mostra que "em época de transição de governo, junto com a acomodação interna de forças, levantam todo tipo de sujeira que pode prejudicar um ou outro lado", como alerta um delegado ouvido pelo jornal. Ele próprio se diz vítima de 'armação política' e estaria implicando em denúncias que 'vazaram' apesar da tradicional reserva para investigações que envolvem membros das corporações policiais.
Caça-níqueis
Recentemente, em rede nacional, um dos diretores da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia de MS), delegado Marcelo Vargas, foi citado na gravação de Clayton Batista por envolvimento com caça-níqueis. O homem, preso por tentar subornar um delegado paulista, citou o delegado sul-mato-grossense como se este fosse amigo ou fizesse parte do 'esquema'.
Equipes da corregedoria da PCMS foram rapidamente até Araçatuba para ouvir o homem. Interrogado depois de preso, Clayton retirou tudo o que disse quando não sabia que estava sendo gravado, disse que nunca teria visto o delegado de quem lembrou nome e sobrenome, e isentou o policial de Mato Grosso do Sul.
Vargas chamou a imprensa e reafirmou que não tem ligação com o criminoso. Ele alegou que seria vítima de calúnias durante a operação da polícia paulista para prejudicá-lo politicamente. Clayton, no entanto, já é conhecido na Policia Civil de Mato Grosso do Sul. Em 2009, policiais militares apreenderam quatro máquinas caça-níqueis que seriam do 'empresário' em um bar de Campo Grande, conforme a reportagem.
Na época, um sargento e um capitão se envolveram na ocorrência, que foi investigada durante a operação Las Vegas. Alguns foram excluídos depois da investigação, outros não.