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Acusado de matar cacique Veron se entrega, 12 anos depois

24 de janeiro 2015 - 10h51 Por Redação Douranews
Acusado de matar cacique Veron se entrega, 12 anos depois

O acusado de matar o cacique Marcos Veron, em janeiro de 2003, Nivaldo Alves de Oliveira, 52 anos, denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul, se apresentou nesta sexta-feira (23), na Procuradoria da República em Dourados.

Cacique Guarany-Kaiowá, Veron morreu no dia 12 de janeiro de 2003, aos 73 anos, depois de ser agredido com socos, pontapés e coronhadas de espingarda na cabeça, na fazenda Brasília do Sul, em Juti. Ele teve traumatismo craniano.

Segundo o Ministério Público Federal, Oliveira estava foragido há 12 anos, desde que teve prisão preventiva decretada. Acompanhado do advogado Upiran Jorge Gonçalves, ele prestou depoimento no MPF e, por ter ordem de prisão em aberto, foi encaminhado à carceragem da PF (Polícia Federal) em Dourados, onde ficará á disposição da Justiça Federal.

Ao G1, Upiran disse que Oliveira esteve fora da cidade durante os anos em que ficou foragido. O advogado afirmou também que o acusado nega o homicídio. Ele foi denunciado pelo MPF, mas teve o processo desmembrado e suspenso. Agora, após a prisão, o processo poderá voltar a tramitar, segundo o MPF.

O caso Veron

Indígenas da etnia guarany-kaiwá sofreram ataques nos dias 12 e 13 de janeiro de 2003, enquanto estavam acampados na fazenda Brasília do Sul, em Juti, na região sul do Estado. A área ocupada era reivindicada por eles como Tekohá Takuara.

Segundo o MPF, um grupo de trinta a quarenta homens armados foram contratados para agredir os indígenas que acampavam nas terras. No dia 12, indígenas que estavam em um carro, com duas mulheres, um adolescente de 14 anos e três crianças de 6,7 e 11 anos, foram perseguidos por 8 km, sob tiros. O cacique foi morto no dia seguinte, após liderar a resistência.