Além de confessar a participação no crime de exploração sexual, o comerciante Fabiano Viana Otero, de 33 anos, disse ainda, em depoimento nesta segunda-feira (27), em Campo Grande, que as duas meninas de 15 anos cobravam R$ 600 por encontro com os políticos. A informação foi repassada ao G1 pelo delegado Paulo Sérgio Lauretto, titular da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e o Adolescente), que conduz o caso.
“Não sei exatamente como elas dividiam o dinheiro, mas os valores cobrados eram R$ 500 de uma e R$ 100 de outra, conforme o depoimento do Fabiano. Ele, junto ao Luciano, articulavam esses encontros e inclusive sabem do envolvimento de mais 10 políticos, porém as informações somente serão divulgados mediante o acordo de delação premiada”, afirmou o delegado.
Segundo Lauretto, durante o depoimento Fabiano garantiu que o vereador Alceu Bueno (PSL) e o ex-deputado estadual Sérgio Assis (sem partido) participaram desde o início das negociações.
“As meninas, desde o início, eram instruídas a gravar os encontros e inclusive posicionavam as câmeras exatamente no mesmo local. Pelas imagens que temos, dá para perceber que o cenário era para fins libidinosos. Alceu teve dois encontros e o Sérgio um com as adolescentes”, comentou o delegado.
Ainda conforme a oitiva, Fabiano e o empresário Luciano Pageu estavam tentando verificar se o negócio daria certo. A partir daí, eles marcariam encontros e enviariam convites para outros políticos.
“Robson (Martins, ex vereador em MS) já entra no esquema no momento da extorsão. Na verdade, eles articularam entregar as imagens mediante o pagamento de R$ 100 mil. No entanto, não havia imagens, já que elas estavam em poder da polícia. Seria até uma espécie de estelionato fraudulento”, explicou o delegado.
Terceira adolescente
Questionado sobre as meninas, Fabiano ressaltou o envolvimento de uma terceira menina de 15 anos. A partir dela, eles criaram um perfil 'fake' na internet, com fotos sensuais da adolescente. Fabiano, que foi preso neste domingo (26), no bairro Santa Emília, era responsável por levar as meninas até as proximidades de um terminal de ônibus, onde todos se encontravam, segundo a publicação do G1.