Um médico veterinário brasileiro, capturado dias atrás pela Polícia paraguaia, teria sido obrigado a pagar cerca de R$ 150 mil para poder obter uma medida de prisão domiciliar, conforme publica o jornal ABC Color, de Assunção. Fontes do submundo do crime na região da fronteira assinalaram que o veterinário brasileiro Edson Iwao Matsuda teria supostamente pago 150.000 reais, o equivalente a 240 milhões de guaranis, para obter o benefício de poder cumprir a pena em um hotel da cidade fronteiriça de Pedro Juan Caballero, já que não possuía nenhum familiar na cidade.
De acordo com a reportagem do jornal paraguaio, reproduzida pelo portal Conectanews, da fronteira, são apontados por, supostamente, terem recebido o pagamento para conceder o benefício ao brasileiro, o promotor Balta David Martínez e o juiz Luis Benítez Noguera. Depois da detenção do cidadão brasileiro, em cumprimento de mandado judicial por homicídio, os agentes policiais o conduziram até à sede da delegacia na cidade para conferir a verdadeira identidade do suspeito.
Segundo o jornal, pouco depois da prisão de Matsuda, chegou na sede da delegacia de polícia um brasileiro que seria o proprietário do hotel onde estava hospedado o procurado da Justiça do vizinho país e ofereceu R$ 20 mil, ou, 32 milhões de guaranis, pela liberação do japonês, porém, os agentes recusaram a oferta e inclusive comunicaram-lhe que já tinham avisado a seus pares do Brasil sobre a prisão.
Os agentes também fizeram contato com um delegado da Polícia Civil brasileira, José Enrique Ventura, que confirmou a ordem de detenção por homicídio expedida contra Edson Iwao Matsuda, pelo crime ocorrido em 2014 na cidade brasileira de Bragança Paulista, do estado de São Paulo.
O delegado Ventura confirmou, inclusive, que Edson Iwao Matsuda é usuário de drogas e que foi internado para tratamento no ano passado. Enquanto encontrava-se em tratamento, o paciente assassinou o coordenador do centro de reabilitação Fernando Prado Noguera, conforme ficou registrado pelo sistema de monitoramento interno do local em que Matsuda estava.
De acordo com o ABC Color, há evidências de que o detento, que teria infringido a lei paraguaia pela entrada ilegal ao país, teria utilizado documentos falsos e estava em vias de ser expulso do país pelos agentes brasileiros quando chegou a ordem do juiz Luis Benítez Noguera, informando do mandado judicial por homicídio cometido no Brasil e autorizando que o preso fosse colocado em condição de preso domiciliar.
A imprensa especializada da fronteira considerou estranha a decisão judicial, uma vez que Matsuda não tem nenhum parente na cidade, e o juiz Benítez indicou como sua residência nada mais e nada menos que o hotel onde estava hospedado o brasileiro. Em suas expressões, o delegado Ventura da Polícia Civil do Brasil, foi taxativo: “O detento é um sujeito extremamente perigoso e não surpreender-me-ia se em breve conseguisse fugir desta cidade”. Enquanto isso, Matsuda cumpre pena em luxuoso hotel na área central de Pedro Juan Caballero, conforme reproduz o informativo.