Marcelo Odebrecht escreveu um bilhete para os advogados em que consta a frase "destruir e-mail sondas". O presidente da Odebrecht está preso preventivamente na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde o dia 19 de junho. O bilhete foi entregue a agentes para que, então, chegasse aos advogados do suspeito de envolvimento em crimes investigados na Operação Lava Jato.
A Justiça Federal foi informada da situação por meio de um ofício, que foi anexado ao processo nesta quarta-feira (24), assinado pelo delegado da PF Eduardo Mauat da Silva. Os policiais tiveram acesso ao bilhete na manhã de segunda-feira (22).
"Como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida segurança, tendo chamado a atenção da equipe a expressão 'destruir e-mail sondas', o que motivou (sic) fosse feita uma fotocópia do documento, entendendo os policiais que não haveria problema na entrega do original aos advogados, uma vez que os mesmos iriam ter contato com o preso de qualquer maneira na sequência", explica o delegado.
Este e-mail citado no bilhete foi considerado pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato na primeira instância, como elemento probatório da participação da Odebrecht em cartel.
Conforme o ofício da Polícia Federal, os advogados Rodrigo Sanches Rios e Dora Cavalcanti Cordani, que fazem a defesa de Odebrecht, foram até o gabinete do delegado Mauat nesta semana e afirmaram que o verbo destruir se tratava de uma “estratégia processual e não a suspensão de provas”.
Por meio de uma petição protocolada na terça-feira (23), os advogados de Odebrecht afirmam que “as anotações não continham o mais remoto comando para que as provas fossem destruídas, e que – à toda evidência – a palavrar destruir fora empregada no sentido de desconstituir, rebater, infirmar a interpretação equivocada que foi feita sobre o conteúdo do e-mail”.

Para os advogados, o conteúdo do bilhete foi "maliciosamente" interpretado como indícios de prática de crime.
E-mail
O e-mail foi apreendido na sede da empresa em novembro de 2014. A mensagem foi enviada por Roberto Prisco Ramos – ex-funcionário da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht – para Odebrecht e executivos.