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Marcelo Odebrecht falará em nova tentativa de depoimento

17 de julho 2015 - 11h40 Por Do G1/Douranews
Marcelo Odebrecht falará em nova tentativa de depoimento

O depoimento de Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht S.A, que tinha sido marcado para quinta (16), mas foi adiado, foi reagendado pela Polícia Federal (PF) para a manhã desta sexta-feira (17).

De acordo com a assessoria de imprensa da Odebrecht, ele será questionado sobre o bilhete que foi entregue à defesa dele com a mensagem "destruir e-mail sondas".

Marcelo também deve falar, em outro depoimento, sobre a relação da construtora com a Petrobras e a participação da empresa no pagamento de propinas, segundo a PF.

Ele é suspeito de participar de fraudes na Petrobras, que alimentaram um esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro bilionário na estatal por meio de manipulação de licitações. Esta será a primeira vez que ele será ouvido pelos policiais desde que foi preso, no dia 19 de junho, quando foi deflagrada a 14ª fase da Operação Lava Jato.

O e-mail citado no bilhete é considerado pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, uma prova da participação da Odebrecht no cartel montado pelas empresas prestadoras de serviços à Petrobras e que fazia parte de um esquema bilionário de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na estatal.

Neste e-mail, também é feita uma referência a sobrepreço de até R$ 25 mil por dia em um contrato de operação de sondas.

Advogada será ouvida
O depoimento de quinta-feira foi adiado porque a advogada Dora Cavalcanti, que representa o executivo, era uma das destinatárias da mensagem citada no bilhete e também será ouvida no inquérito.

"Fui informada que eu também serei ouvida neste inquérito policial que trata desta questão do bilhete e, portanto, no entendimento da presidência do inquérito, como eu serei ouvida, eu não poderia acompanhar o depoimento do meu próprio cliente”, disse. O depoimento dela também está previsto para esta sexta-feira.

Dora Cavalcanti estava acompanhada de outro advogado que integra a defesa de Marcelo Odebrecht, e a Polícia Federal afirmou ter dado a opção para que este segundo jurista acompanhasse o interrogatório de quinta, mas os dois não aceitaram.

Segundo a Polícia Federal, ainda será decidido se Dora Cavalcanti será ouvida na condição de testemunha ou investigada.

Crítica ao inquérito
Dora Cavalcati afirmou que ficou surpreendida com o adiamento da oitiva. Segundo ela, até o fim da tarde da última quarta-feira (15), não tinha conhecimento de que seria ouvida.

A advogada disse que Marcelo Odebrecht estava disposto a esclarecer o teor do bilhete e reafirmou que as mensagens escritas pelo executivo tinham o intuito de ajudar a defesa na elaboração do pedido de habeas corpus.

“Embora Marcelo estivesse absolutamente tranquilo e preparado para esclarecer hoje, com relação ao bilhete, aquilo que nós, enquanto defesa, já havíamos esclarecido desde o primeiro momento (...). Aquele bilhete nada mais era do que anotações com relação ao decreto de prisão que Marcelo teve a oportunidade de ler, fez as observações dele para contribuir com a defesa”.