O juiz Antonio Lopes da 2ª Vara da Infância e Juventude em Teresina comentou nesta sexta-feira (17) que o Centro Educacional Masculino (CEM) poderia ter sido palco de uma chacina. A declaração foi feita após a morte de um dos quatro adolescentes condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piauí.
Gleison Vieira da Silva, 17 anos, foi espancado até a morte na noite da última quinta-feira (16) dentro de uma das celas do CEM, que ele dividia com os outros três coautores da barbárie contra quatro meninos que chocou o país. A direção do centro afirmou que o grupo é suspeito do assassinato.
Segundo o magistrado, os adolescentes vinham sendo ameaçados de morte pelos demais jovens da unidade.
“Eles [os internos] disseram que os agressores tiveram foi sorte, porque iriam matar os quatro. Poderia ter sido uma chacina. Há 14 anos vejo que o estado não tem cumprido o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é manter separados menores com alto grau de agressividade, a exemplo de estupradores, e quando há riscos para a integridade física deles”, disse o juiz, que esteve no CEM na madrugada desta sexta, logo após o crime.
Em nota, a Secretaria da Assistência Social e Cidadania (Sasc) e a diretoria do Centro Educacional Masculino disseram que, para garantir a segurança e integridade dos menores, a secretaria fez a internação deles em uma sala separada, para que que não ocorressem conflitos com outros internos.
No último dia 9, os menores foram condenados a cumprir três anos de internação como medida socioeducativa pela violência contra as quatro jovens de Castelo do Piauí, que ocorreu em maio. Foram imputados a cada um deles os atos infracionais equivalentes aos seguintes crimes: prática de quatro estupros, três tentativas de homicídio e um homicídio.
As agressões
O juiz Antonio Lopes deu detalhes de como o assassinato aconteceu, com base no depoimento dos adolescentes. “Em tese, acredita-se que o Gleison estivesse dormindo quando as agressões iniciaram. Primeiro, eles deram o que chamaram de ‘voadora’, e quando a vítima caiu, foi dominada. E daí as agressões começaram com socos e pontapés. Eles chegaram a bater a cabeça dele contra uma estrutura de cimento”, disse.
Um policial militar que estava de plantão na noite de quinta-feira disse que no momento da confusão entre os adolescentes havia quatro educadores e sete PMs no CEM. “Quando ouvimos os gritos corremos para a cela e conseguimos retirar o rapaz com vida, mas não resistiu”, contou.
O corpo do menor foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), e a Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Sasc) aguarda a família para providenciar o velório.
Os três adolescentes suspeitos do homicídio foram removidos do CEM e permanecem agora em salas separadas no Complexo de Defesa e Cidadania. Um inquérito será aberto pela Delegacia do Menor Infrator para apurar o crime.