A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta quinta-feira (3), a ‘Operação Trapos’, conduzida em parceria com o MPF (Ministério Público Federal) e a Receita Federal com o fim de desarticular um grupo criminoso que atuava na importação ilícita de mercadorias a partir da fronteira do Mato Grosso do Sul com a Bolívia. Cerca de 20 toneladas de mercadorias em descaminho e oito pessoas já foram presas.
Iniciada em dezembro de 2014, a Operação Trapos [assim chamada em razão da grande quantidade de vestuários clandestinamente importada pelo grupo] desvendou a existência de um esquema criminoso estruturado em dois principais núcleos. De um lado, um núcleo de gerentes que promovia, a partir de Corumbá (MS), a internalização irregular de mercadorias provenientes da Bolívia, e as transportava para Campo Grande e para cidades do interior do estado de São Paulo.
De acordo com boletim divulgado, cerca de 100 agentes policiais federais e servidores da Receita Federal do Brasil estão cumprindo nesta quinta-feira (3), com autorização da Justiça Federal, 12 mandados de prisão preventiva em Corumbá, 15 mandados de condução coercitiva e 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Corumbá, Dourados e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e São Paulo, Birigui, Araçatuba, Sorocaba e Penápolis, em São Paulo.
Além de identificar os principais membros do esquema criminoso, os monitoramentos conduzidos no curso da Operação Trapos permitiram às autoridades realizar oito prisões em flagrante, assim como apreender 700 pássaros silvestres de origem peruana e aproximadamente 20 toneladas de mercadorias descaminhadas e contrabandeadas, cuja importação clandestina, em desacordo com a legislação e sem o pagamento dos tributos devidos, causou um prejuízo estimado de R$ 950 mil aos cofres públicos.
A quadrilha contava com uma estrutura de atravessadores, motoristas, batedores e olheiros, bem como com a facilitação de um servidor da Receita Federal, cooptado pelo grupo. Um núcleo de compradores residentes na região de Birigui adquiria as mercadorias importadas ilicitamente da Bolívia, e financiava, assim, as atividades daqueles que, na fronteira, eram responsáveis por uma sistemática importação ilícita de mercadorias para o Brasil.
A pedido do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, a Justiça Federal determinou a suspensão do exercício das funções do servidor da Receita Federal cooptado pelo esquema criminoso, com prejuízo de seus vencimentos, e a suspensão das atividades da empresa transportadora utilizada pelo grupo para viabilizar importações de grandes cargas de mercadorias sem despertar a atenção das autoridades fiscalizadoras.
Os investigados, ao final da operação, deverão responder pela possível prática de diversos crimes, como associação criminosa, contrabando, descaminho, facilitação ao contrabando e descaminho, prevaricação, corrupção ativa, falsidade ideológica e tráfico internacional de animais silvestres.