Ouvido no Tribunal de Justiça do Distrito Federal nesta quarta-feira (16), o delator do escândalo da Caixa de Pandora, Durval Barbosa, afirmou ter arrecadado R$ 110 milhões em propina entre 2007 e 2009. Segundo ele, 40% do dinheiro ficava para o ex-governador José Roberto Arruda e 30% com o vice, Paulo Octávio. Barbosa e mais dois investigados, Omezio Pontes e Geraldo Maciel, ficavam com 10% cada. Pontes disse não ter sido citado formalmente no processo e Maciel não foi encontrado pela TV Globo. Arruda e Paulo Octavio negam a acusação.
O escândalo veio à tona em 2009, por meio de uma operação da Polícia Federal. O Ministério Público denunciou os envolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Em seguida, os advogados apresentaram uma série de recursos para adiar e desmontar o processo. A estimativa é que tenham sido liberados irregularmente R$ 64 milhões para pagar a empresa Link Net.
O depoimento de Barbosa durou três horas. O ex-governador depôs em seguida. Ele negou ter recebido dinheiro e afirmou que as gravações feitas pelo delator do esquema eram falsas. O advogado dele o defendeu. “Arruda desde o início está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos”, disse Pedro Ivo Veloso.
Após a audiência, a defesa de Barbosa negou a possibilidade de que ele tenha forjado vídeos que mostram Arruda repartindo maços de dinheiro. “Não tem como brigar com perícia feita pela Polícia Federal”, declarou a advogada Margareth Almeida.
O empresário Paulo Octavio alegou ser inocente e disse que nunca apareceu nas gravações de Durval Barbosa. “Estamos muito tranquilos de que a inicial veio sem provas e que o Ministério Público optou por não produzir provas contra ele aqui no processo judicial”, afirmou a advogada Gabriela Bemfica.
Para o Ministério Público, não restam dúvidas de que os envolvidos recebiam vantagem do contrato com a empresa de tecnologia. “Os réus se utilizavam de um mecanismo chamado reconhecimento de dívida até mediante recebimento de propina”, disse o promotor Clayton Germano. Com informações do G1