Cerveré é acompanhado por policiais ao deixar cadeia para passar natal com familiares — Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo
O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, que deixou a carceragem da PF (Polícia Federal) no dia 23 de dezembro para passar as festas de fim de ano com a família no Rio de Janeiro, deve retornar para a prisão, em Curitiba, neste sábado (2), com embarque previsto para às 11 horas locais do Aeroporto Santos Dumont e chegada à capital paranaense prevista para 12h37.
Cerveró é colaborador da Operação Lava Jato e, conforme os advogados, a saída estava prevista no termo firmado com o MPF (Ministério Público Federal). Durante todo o período em que esteve fora, ele foi monitorado por tornozeleira eletrônica e por escolta policial.
Também estava prevista a saída do doleiro Alberto Youssef. O doleiro, porém, permaneceu na cadeia. Segundo o advogado dele, o acordo não foi favorável ao cliente.
O ex-diretor está detido pela Lava Jato desde janeiro de 2015. Ele já foi condenado duas vezes pela Justiça Federal por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Somadas, as duas penas chegam a 17 anos de prisão.
A delação premiada
A deleção premiada de Cerveró foi homologada após a divulgação de uma gravação feita numa reunião do senador Delcídio do Amaral com o chefe de gabinete dele, Diogo Ferreira, o advogado Edson Ribeiro e o filho de Cerveró, Bernardo
A conversa foi gravada por Bernardo, com um celular no bolso. Nela, eles discutiram um plano para evitar que o ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró assinasse um acordo de delação premiada. Delcidio e o chefe de gabinete foram presos dia 25 de novembro e não tiveram direito a liberdade na virada do ano.
Trechos da delação de Cerveró sobre os possíveis pagamentos de propina aos senadores Renan Calheiros (PMDB), Jader Barbalho (PMDB) e Delcídio do Amaral (PT) vieram a público.
O senador Renan Calheiros nega a imputação e reitera que suas relações com empresas públicas ou privadas nunca ultrapassaram os limites institucionais. Já a defesa do senador Delcídio Amaral afirmou que não vai se manifestar. A assessoria de imprensa de Jader Barbalho informou que o senador não vai se pronunciar por enquanto.