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João Santana 'desconhece' origem de US$ 7,5 milhões

25 de fevereiro 2016 - 20h40 Por Redação Douranews
João Santana 'desconhece' origem de US$ 7,5 milhões

O publicitário João Santana admitiu ser o controlador da conta na Suíça que recebeu US$ 7,5 milhões da Odebrecht do operador Zwi Skornicki, mas afirmou que a mulher dele, Mônica Moura, é a responsável pelas movimentações e que "não sabe dizer quais valores foram recebidos na referida conta", que era mantida como uma poupança para aposentadoria, como declarou em depoimento prestado na manhã desta quinta-feira (25) à Lava-Jato.

Durante o depoimento, o marqueteiro afirmou que não sabe se Mônica tem procuração para fazer a movimentação e que não sabe quem são os beneficiários. Ele autorizou acesso a todos os dados da conta ShellBill, na Suíça, onde foram depositados os valores investigados pela Lava-Jato.

Santana disse que a conta foi aberta entre 1998 e 1999 para receber cerca de US$ 70 mil por serviços prestados na Argentina, por meio de um representante no Uruguai que teria sido indicado por um amigo argentino. Ele disse que só tomou conhecimento de que a conta não era relacionada à Polis Argentina, sua empresa no país vizinho, quando foi feita uma auditoria nas contas das empresas. Santana não soube precisar a data, mas disse que tinha intenção de legalizar a conta, mas que sempre houve dúvidas em relação a qual país devesse fazê-lo, já que a conta recebia recursos de campanhas no exterior.

Para o MPF (Ministério Público Federal), o dinheiro repassado pelo operador ao marqueteiro pode ter saído de contratos da Petrobras, referentes a plataforma P-51 ou sondas da Sete Brasil. Santana negou ter recebido no exterior dinheiro das campanhas presidenciais no Brasil. Negou ainda receber por serviços prestados ao governo federal.

Segundo ele, os "eventuais conselhos de maneira esporádica" prestados ao governo federal não foram remunerados. Aos investigadores, disse que foi "um doador de serviços ao governo em razão do prazer que isso lhe gera e da facilidade que possui".

O marqueteiro, responsável pela campanha do ex-presidente Lula em 2006 e da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, disse acreditar que a conta passou a receber maior volume de recursos entre 2011 e 2012, quando atuou em campanhas em Angola, República Dominicana e Venezuela. Não sabe, no entanto, esclarecer a origem dos valores que entraram na conta, nem o destino deles. Sabe apenas que em alguns momentos foram usados recursos da conta para comprar equipamentos ou pagar fornecedores, pois Mônica Moura sempre cuidou da área administrativa e financeira do casal, de acordo com a reportagem de O Globo.