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Polícia prende integrantes da máfia chinesa suspeita de assassinato

08 de março 2017 - 16h30 Por Kleber Tomaz e Will Soares/G1
Polícia prende integrantes da máfia chinesa suspeita de assassinato Armas apreendidas com estrangeiros suspeitos de pertencer a máfia chinesa — Reprodução TV

Polícia Civil de São Paulo prendeu ao menos oito chineses na manhã desta quarta-feira (8), suspeitos de integrar a máfia chinesa que age no estado cometendo crimes contra seus compatriotas. Imagens obtidas pela TV Globo mostram as armas apreendidas na ação.

"Ao todo, 20 chineses são procurados para serem presos", disse ao G1 a delegada Elisabete Sato, diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo Elisabete, as prisões foram decretadas pela Justiça a pedido do DHPP, que investiga a ação de duas quadrilhas vindas da China. Elas são suspeitas de cometer assassinatos, sequestros e extorsões contra chineses que trabalham no comércio popular em São Paulo.

"A investigação começou a levantar que vinham executores chineses que entraram no Brasil pelo Paraguai e pela Argentina", disse a delegada. "As vítimas são chineses que compravam mercadorias de outros chineses e trabalhavam principalmente na região da Rua 25 de Março, no Centro da capital", acrescentou.

De acordo com a diretora, policiais estão nas ruas para cumprir mandados de prisão temporária e de busca e apreensão na capital paulista e em cidades do litoral. "São 20 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão", explicou ela.

O DHPP identificou os suspeitos dos crimes após investigar homicídios, sequestros e extorsões cometidos por chineses contra compatriotas nos últmos anos no estado. "Identificamos cerca de dez vítimas, mas acreditamos que a máfia fez mais de cem", afirmou Elisabete.

2015

A ação da máfia chinesa em São Paulo não é novidade. Em 2015, o G1 publicou matéria sobre a prisão de quatro chineses suspeitos de integrar a máfia. Eles foram detidos em flagrante por sequestrar uma chinesa. A refém foi libertada. Essa ação foi filmada pelo helicóptero da Polícia Militar (PM).

À época, a reportagem teve acesso aos depoimentos das vítimas que denunciaram os crimes cometidos por chineses às autoridades. O perfil delas é sempre o mesmo: comerciantes vindos da China ou parentes. Os sequestradores são imigrantes membros das tríades – como é conhecida a máfia chinesa, em alusão ao símbolo em forma de triângulo adotado.

Os mafiosos exigem taxas de proteção dos empresários que trabalham no Centro de São Paulo. Alguns chegam a pagar de R$ 1 mil a R$ 10 mil para garantir que sua família não seja agredida, sequestrada ou morta. Os criminosos também ajudam compatriotas a entrar e trabalhar ilegalmente no Brasil com visto de turista, e depois passam a cobrar pelo serviço.

De acordo com policiais e representantes do Ministério Público (MP), os grupos criminosos chineses mais atuantes em solo paulista são Sun Yen On, de Cantão, e Fu Chin, de Xangai.

O número de vítimas dos mafiosos chineses não é facilmente mensurável pela polícia porque muitas têm receio de prestar queixa, com medo de represálias por parte dos criminosos. Dificuldade em compreender a língua portuguesa e situação migratória irregular no Brasil seriam outros motivos para os chineses desistirem de pedir ajudar.

Alguns crimes cometidos pelos mafiosos chineses têm requintes de crueldade: as vítimas foram degoladas, baleadas na nuca, sofreram golpes de artes marciais ou foram agredidas com objetos.