Depois da prisão de quatro pessoas pela acusação de estupro e tráfico internacional de duas adolescentes paraguaias em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, na manhã desta quinta-feira (20), a Polícia Civil agora procura investigar se há uma rede estruturada de tráfico internacional de adolescentes. Uma paraguaia, Mercedes Lopez, está entre as presas, e a perícia irá analisar os computadores e celulares apreendidos. Segundo as investigações, a primeira vítima chegou a ficar dois anos sob cárcere de Mercedes. Outra jovem engravidou de um dos agressores e fez aborto.
"Estamos abrindo uma caixa de pandora. Vamos apurar como essas adolescentes entram no Brasil e se efetivamente há um recrutamento, e isso será feito junto com a Polícia Federal", explicou a delegada Juliana Emerique.
Em março, uma jovem de 17 anos foi até a Dcav (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima) junto com uma representante do consulado paraguaio, e contou que havia ido para a casa de Mercedes com a promessa de trabalho e uma vida nova. Porém, com o passar do tempo, de acordo com as investigações, ela foi obrigada a fazer sexo com o marido de Mercedes e a própria dona da casa, que tinha uma casa onde cuidava informalmente de crianças em uma favela em Belford Roxo. Ela também era obrigada a cuidar das crianças, sem receber nenhum salário, é só saía de casa junto com Mercedes, conforme publica o G1.
Em junho, uma menina de 16 anos conseguiu fugir do cativeiro e foi até a Delegacia de Atendimento à Mulher de Belford Roxo, que auxiliou na ‘operação Coiote’, nesta quinta-feira (20). "Toda vez que chega uma vítima de estupro em uma Deam, nos temos que adotar o mesmo tratamento. Essa vitima chegou à noite junto com um dos envolvidos, que imputou o fato do estupro a duas outras pessoas. A vítima relatou os fatos, sob coação, mas depois de manhã ela fugiu da casa onde relatou tudo que havia acontecido", ressaltou Tatiana Queiroz, delegada da Deam Belford Roxo.
Dias antes, o marido de Mercedes foi à Deam Belford Roxo em Junho para avisar que uma jovem de 16 anos havia sido estuprada pelo irmão dele. A delegada desconfiou da história, e depois ouviu a jovem, chamou a Dcav. A vítima de 16 anos disse que fez sexo com Mercedes, o marido dela, o irmão e mais um vizinho. As duas delegacias perceberam que os relatos eram muito semelhantes, e começaram a articular a operação desencadeada na manhã desta quinta no Rio.