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Testemunhas sobre caso de major da PM morto após discussão com esposa começam a ser ouvidas

04 de outubro 2017 - 15h47 Por Claudia Gaigher/TV Morena
Testemunhas sobre caso de major da PM morto após discussão com esposa começam a ser ouvidas

A Justiça começou a ouvir, nesta terça-feira (3), as testemunhas da morte de um major da Polícia Militar (PM), em 2016, em Campo Grande. Valdeni Nogueira foi morto a tiros após uma discussão com a esposa, a tenente-coronel da PM Itamara Nogueira.

É a primeira audiência. A acusação chamou dez pessoas, cinco foram ouvidas em Campo Grande. O tenente-coronel Ajala foi um dos primeiros a chegar. Ele conta que estava a 600 metros da casa dos policiais quando foi acionado para atender o caso.

“Eu vi o Valdeni caído, os bombeiros fazendo o socorro e a Itamara dentro da sala dela totalmente desesperada por causa do disparo que ela efetuou. Ela estava com os hematomas no rosto nitidamente de agressão”, afirmou.

Diante de advogados de defesa e do promotor, Ajala contou ao juiz que, depois que os bombeiros levaram o major ferido, ele pediu que todos saíssem e tentou acalmar a tenente-coronel Itamara, que estaria muito abalada e descontrolada. A tese da defesa é de que ela foi vítima de violência.

“Não vi divergência nos depoimentos prestados na fase policial e agora e a defesa continua tratando de um crime de legítima defesa direta”, afirmou o advogado de defesa José Roberto Rodrigues da Rosa.

O crime aconteceu na casa do casal de policiais no dia 12 de julho de 2016. O vizinho ouviu dois disparos e chamou a polícia. Logo a rua ficou fechada com viaturas da PM e do Corpo de Bombeiros. O major Valdeni Lopes Nogueira e a tenente-coronel Itamara Romeiro Nogueira discutiram. O casal iria viajar de férias e a discussão teria virado agressão. A tenente-coronel alegou que atirou para se defender. O major foi encontrado caído com vida. Ele levou dois tiros.

Já a acusação diz que não tem dúvidas de que foi homicídio doloso porque a tenente-coronel Itamara Nogueira tem treinamento e saberia exatamente o que estava fazendo na hora que fez os disparos. Agora, ouvir essas testemunhas e montar esse quebra-cabeças, ouvir as pessoas que chegaram primeiro à casa do casal.

O que e em quais circunstâncias a tenente-coronel atirou no companheiro são as perguntas que, para a promotoria, ainda não foram respondidas.

“Nós temos aqui a notícia de dois disparos efetuados pelas costas que ilustram evidentemente a intenção de atingir o acusado. Detalhes que se referem a motivação vão ser revelados ao curso do processo”, afirmou o promotor de Justiça Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos.
As testemunhas que faltaram a audiência serão chamadas novamente. Depois, é a vez da defesa apresentar as suas testemunhas.