Marcola respondeu não temer, e garante que se o juiz for mesmo justo, autorizará a transferência dele — Divulgação
Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder principal do PCC (Primeiro Comando da Capital), preso em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), em Presidente Bernardes-SP, prestou depoimento no dia 24 de outubro em audiência da Operação Ethos.
Marcola mais uma vez negou ser líder da facção PCC e aproveitou para pedir transferência para uma cadeia de oposição – presos de outras facções -, como forma de provar não ser integrante da maior facção criminosa do Brasil. O condenado disse também, não querer ser transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, segundo ele, se transferido para uma unidade federal continuará a ser considerado chefe do Primeiro Comando da Capital.
O site Ponte publicou informações e vídeos da audiência. De acordo com a reportagem, na oitiva por videoconferência, ao juiz da comarca de Presidente Venceslau, Gabriel Medeiros, Marcola foi apontado como integrante do esquema que envolve ao menos 40 advogados com a criação de uma célula jurídica do PCC chamada de “sintonia dos gravatas”, esquema esse investigado pela Operação Ethos.
Veja o vídeo de parte da audiência de Marcola
O pedido de transferência de Marcola é no mínimo inusitado, tendo em vista que se um integrante do PCC é transferido para um presídio dominado por detentos de uma facção contrária, ou vice-versa, provavelmente correrá sérios riscos, podendo até ser executado, durante tumultos. A SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária), dificilmente deixa detentos considerados rivais na mesma unidade prisional.
Risco de morte
Questionado, Marcola respondeu não temer, e garante que se o juiz for mesmo justo, autorizará sua transferência. “Não tenho nenhuma preocupação e, inclusive, gostaria muito que esse juiz que está presidindo essa audiência me ajudasse a ir para uma cadeia de oposição, que eles dizem, para que eu mostrasse que, como que eu posso ser líder se eu posso estar convivendo numa cadeia dessa? Mas isso dependeria muito desse juiz aí querer ser ou não, um cara justo”, disse o condenado.
Marcola deixou claro que não quer ser transferido para um presídio federal. Alegando ao magistrado que, se for para uma unidade federal, vai continuar sendo apontado como líder de facção criminosa, segundo ele é o que ocorre com outros presos do PCC em São Paulo. Dados do Ministério Público apontam que 20% dos criminosos recolhidos nas quatro unidades federais do país - Campo Grande-MS, Porto Velho-RO, Catanduvas-PR e Mossoró-RN -, fazem parte da facção Primeiro Comando da Capital.
Líder do PCC
O detento disse que nunca fez parte do PCC. Falou ainda que começou a ser chamado de chefe da facção a partir de outubro de 2002, quando sua ex-mulher, a advogada Ana Maria Olivatto, foi assassinada a mando da liderança da organização. Acrescentou que devido ao assassinato de Ana Olivatto, ele declarou guerra aos então líderes da facção PCC, e, como venceu a luta contra os então inimigos, passou a ser visto como líder pela massa carcerária.
“Eu não faço parte dessa organização. Quando eu briguei com os caras que eram líderes do PCC, o sistema me viu como um líder e a partir daí começou a se vincular que tudo eu resolvia eu passava, mas na verdade eu não fazia nada disso eu cuidava da minha vida tenho três filhos pequenos para cuidar e era isso que eu fazia”.
Marcola é apontado ainda pelo Ministério Público Estadual como o presidente do Conselho Deliberativo do PCC. Ele também negou essa acusação. O Conselho Deliberativo do PCC é responsável pela criação da célula “sintonia dos gravatas”, formada para atender aos interesses jurídicos da facção, diz o MPE.
Uma investigação descobriu que pelo menos 30 advogados atuavam como ‘funcionários’ do crime organizado, repassando ordens da cúpula para os subordinados e usando contas bancárias para lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, Marcola e os demais comandavam esse esquema de dentro do presídio.
Resgate do chefe do PCC
Investigação da Polícia apontam que integrantes do Primeiro Comando da Capital estavam se mobilizando para resgatar Marcola, do presídio de Presidente Prudente, interior do Estado de São Paulo. Na época, equipes da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) reforçaram o policiamento na cidade.